Bolsonaro e Felipe Neto, o presidente e o seu crítico, estão na lista dos 100 mais influentes da revista Time

O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o influenciador digital Felipe Neto estão na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo realizada anualmente pela revista norte-americana Time, divulgada na madrugada desta quarta-feira.

Bolsonaro foi indicado para a categoria líderes, mas o texto de apresentação assinado pelo editor internacional da Time, Dan Stewart, é pouco lisonjeiro ao comentar os feitos do líder brasileiro, destacando a tragédia provocada pela covid-19 no maior país da América do Sul e as queimadas na floresta amazónica.

"A história do ano no Brasil pode ser contada em números: 137.000 vidas perdidas para o [novo] coronavírus. A pior recessão em 40 anos (...) Mais de 29.000 incêndios na floresta amazónica somente em agosto. Um Presidente cujo ceticismo teimoso sobre a pandemia e indiferença à espoliação ambiental elevou esses números", escreveu Stewart.

O jornalista também lembrou que, apesar dos problemas, Bolsonaro tem 37% da aprovação da população, segundo as sondagens mais recentes realizadas no Brasil.

"Apesar de uma tempestade de denúncias de corrupção e de um dos maiores índices de mortes por covid-19 no mundo, o líder de direita continua popular entre uma grande parte dos brasileiros", frisou.

Bolsonaro aparece na lista ao lado de líderes como o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a chanceler da Alemanha Angela Merkel ou o candidato a Presidente dos Estados Unidos Joe Biden.

Felipe Neto, que recentemente causou polémica ao dizer, num vídeo publicado pelo jornal The New York Times, que Bolsonaro é um Presidente pior do que Donald Trump, foi indicado na categoria Ícones e descrito na Time como "influenciador digital de maior importância no Brasil" já que possui 39 milhões de assinantes no YouTube e 12 milhões de seguidores no Twitter.

O perfil dele é assinado por David Miranda, deputado (membro da câmara baixa do Congresso) brasileiro, conhecido pela militância em favor dos diretos humanos e dos direitos da comunidade LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexo).

"Uma década atrás, da humilde casa de sua família no Rio de Janeiro, ele [Felipe Neto] começou a criar conteúdo para o YouTube e rapidamente encontrou fama, um público jovem enorme e leal e patrocínios lucrativos", descreveu o autor.

"A notoriedade inicial foi gerada pela regra padrão para adolescentes online: videogames, celebridades e meninas. Mas com a eleição de 2018 do Presidente de extrema-direita, Jair Bolsonaro, e o fortalecimento de seu movimento protofascista, Neto, arriscando a sua marca e segurança, redirecionou sua popularidade para se tornar um dos oponentes mais eficazes de Bolsonaro", acrescentou o texto.

O autor do perfil também frisou que "quando Felipe Neto fala, milhões ouvem. E sua voz agora virtuosa e politizada ressoa poderosamente em um país cuja democracia está em perigo".

Felipe Neto foi citado ao lado de nomes como o da fundadora do movimento Black Lives Mater, Opal Tometi, a ativista e professora norte-americana Angela Davis e a jogadora de futebol dos Estados Unidos Megan Rapinoe.

Mais Notícias