Bielorrússia: Ministro da Defesa agradece à Rússia e China pela ajuda

O ministro da Defesa da Bielorrússia, Victor Jrenin, agradeceu esta sexta-feira a ajuda da Rússia e da China em "tempos complexos", referindo-se à crise sociopolítica que o país atravessa desde as eleições presidenciais de 09 de agosto.

Segundo um comunicado do Ministério, Jrenin fez essa declaração em Moscovo, onde chegou hoje para participar numa reunião de líderes militares de antigos países soviéticos, da Organização de Cooperação de Xangai e da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, liderada pela Rússia.

"Depois de fracassarem na tentativa de organizar uma 'revolução colorida', certas forças do Ocidente voltaram de facto a formas e métodos de uma luta híbrida contra o povo bielorrusso", afirmou.

Jrenin denunciou também que Minsk está a sofrer "pressão diplomática e político-económica sem precedentes" de países ocidentais, que não reconheceram os resultados das eleições presidenciais de 09 de agosto e defendem a realização de um novo sufrágio no país.

O ministro apontou ainda a Polónia, República Checa, Ucrânia e Lituânia, onde se encontra em exílio a líder da oposição, Svetlana Tikhanovskaya, como países que estão por trás das "forças" que querem desestabilizar a situação no país.

A visita de Jrenin a Moscovo acontece um dia depois da viagem do primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, a Minsk, onde discutiu com o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, uma ampla gama de questões bilaterais e anunciou "acordos" sobre assuntos pendentes.

Os resultados da visita foram rejeitados pela oposição bielorrussa, uma vez que Lukashenko já não estava em condições de negociar em nome de Minsk.

"Duvido que qualquer decisão ou acordo que Lukashenko possa assinar seja reconhecido pelo novo Governo", afirmou Svetlana Tikhanovskaya, em comunicado publicado no Telegram.

Os Presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, foram os dois primeiros líderes mundiais a felicitar a vitória de Lukashenko nas eleições.

Mais de 100 mil pessoas participaram no domingo, em Minsk, na terceira marcha pacífica contra Lukashenko, que propôs mudar a Constituição, mas nega-se a dialogar com o Conselho Coordenador da oposição para uma transferência de poder.

Lukashenko, de 66 anos, dos quais 26 no poder na Bielorrússia, enfrenta um movimento de contestação inédito.

A crise foi desencadeada após as eleições de 09 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu Lukashenko para um sexto mandato presidencial, com 80% dos votos.

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