"Bela visão". Trump elogia agressão policial a jornalistas

Ao discursar num comício na Pensilvânia Donald Trump ridicularizou jornalistas e exultou com a violência exercida pela polícia. Também atacou o falecido John McCain, cuja viúva apoia Joe Biden.

Donald Trump voltou a atacar os jornalistas e por extensão a liberdade de imprensa. Num comício nos arredores de Pittsburgh, Pensilvânia, Trump fez troça dos repórteres que cobriram os protestos contra a violência policial e o racismo na sequência do assassínio de George Floyd.

"Por vezes eles agarram. Apanham um tipo. 'Eu sou um jornalista. Eu sou um jornalista'. Desaparece daqui. Atiraram-no para o lado como se fosse um pequeno pacote de pipocas. Sinceramente, quando se vê a porcaria que todos nós tivemos de levar tanto tempo... Não queremos fazê-lo. Mas quando se vê, é realmente uma bela visão", disse enquanto a multidão se ria como se tratasse de um espetáculo de comédia.

Os jornalistas australianos da 7News Amelia Brace e Tim Meyers foram vítimas de violência policial nas imediações da Casa Branca, quando os protestos pacíficos que decorriam no dia 2 de junho foram interrompidos por uma carga policial.

A operação da polícia e da guarda nacional para dispersar com violência teve como objetivo permitir que Donald Trump saísse a pé da Casa Branca e empunhasse uma Bíblia junto à Igreja Episcopal de São João, alvo de fogo posto horas antes.

Na altura dos acontecimentos, o primeiro-ministro australiano, o conservador Scott Morrison, mostrou-se solidário com a equipa de reportagem e declarou que o governo iria prestar todo o auxílio caso quisessem avançar com um processo judicial.

Mas Trump não se ficou por aqui e voltou a escarnecer do pivô da MSNBC Ali Velshi, que foi atingido por uma bala de borracha no final de maio enquanto cobria os protestos sobre a morte de George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis.

Num comício anterior, em Fayetteville, Carolina do Norte, Trump já tinha identificou de forma errada Velshi como profissional da CNN e fez comentários semelhantes no fim-de-semana passado, num comício em Minnesota. Desta vez também disse incorretamente que tinha sido atingido por uma lata de gás.

"Lembram-se daquela bela visão? A rua estava uma confusão. Aquele repórter idiota da CNN foi atingido por uma lata de gás lacrimogéneo. E foi ao chão. 'Fui atingido. Fui atingido'. Ele foi atingido", disse Trump, para gaúdio da multidão.

O canal de televisão MSNBC respondeu: "A liberdade de imprensa é um pilar da nossa democracia. Quando o presidente goza de um jornalista pelo ferimento que sofreu enquanto se punha em perigo para informar o público, põe em perigo milhares de outros jornalistas e compromete as nossas liberdades."

Biden "cachorrinho" de McCain

Em plena campanha, Trump não perde ocasião para agitar as bases e polarizar a sociedade. Hoje lançou uma nova ofensiva a John McCain, após a viúva ter dado o seu apoio a Joe Biden nas eleições.

Desta vez no Twitter, Trump atacou o republicano,, senador pelo Arizona falecido em 2018, e uma das poucas vozes a fazer-lhe frente no Partido Republicano "Mal conheço Cindy McCain além de a ter colocado num comité a pedido do seu marido", escreveu.

Criticou "más decisões sobre guerras sem fim" e sobre a sua lei sobre cuidados de saúde para os veteranos de guerra, e declarou : "Nunca fui fã do John."

Aproveitou para criticar o adversário democrata, ao dizer que "Joe Biden era o cachorrinho de John McCain", e concluiu: "Cindy pode ficar com o Joe Sonolento!", concluiu o presidente.

O apoio de Cindy McCain a Biden, anunciado na terça-feira, representa mais uma deserção entre republicanos que assumem publicamente que irão votar no candidato democrata e pode ter repercussões no Arizona, estado ganho por Trump em 2016, mas no qual a média das sondagens colocam Biden à frente por 4,4%, segundo a RealClearPolitics.

Cindy McCain escreveu por sua vez: "Somos republicanos, sim, mas sobretudo americanos. Há apenas um candidato nesta corrida que defende os nossos valores como nação, ou seja, Joe Biden". Noutra mensagem: "Joe e eu nem sempre concordamos nos temas, e sei que ele e John certamente tiveram algumas discussões apaixonadas, mas ele é um homem bom e honesto. Ele vai liderar-nos com dignidade."

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