Autarca humilhada na Bolívia: arrastada pela rua descalça e coberta de tinta

Patricia Arce foi levada da sede da câmara à força por opositores a Evo Morales. Achincalhada publicamente, teve de se ajoelhar e assinar uma carta de demissão. Também lhe cortaram o cabelo.

Não fosse o cenário a sugerir violência, as imagens até poderiam levar os mais incautos a pensar que a protagonista tinha saído de um evento de happy holi [o festival das cores]. Mas não, Patricia Arce, autarca de um pequeno município da Bolívia, foi atacada por opositores que a arrastaram descalça pelas ruas, a pintaram com tinta vermelha e ainda lhe cortaram o cabelo à força.

Este é um dos mais recentes episódios da série de confrontos violentos que assola a Bolívia e que põe de cada lado da barricada os opositores e os apoiantes do presidente Evo Morales - desde as eleições de 20 de outubro que os protestos começaram porque a oposição não lhe reconhece a vitória.

Esta quinta-feira houve notícias de que o jovem que tinha sofrido ferimentos graves durante os confrontos na região de Cochabamba morreu, elevando para três as vítimas mortais deste conflito. Limbert Guzmán, de 20 anos, não sobreviveu a um "traumatismo craniano grave e fratura no crânio", segundo o relatório médico. Nos confrontos de quarta-feira, 34 pessoas ficaram feridas, mas desde que começaram já totalizam cerca de duas centenas.

Voltemos ao que se passou esta quinta-feira com a presidente do município de Vinto, do partido de Morales, Movimento para o Socialismo (MAS). Patricia Arce foi retirada à força do edifício da câmara e arrastada pelas ruas, aos gritos de "assassina, assassina". A razão desta humilhação terá sido o facto de ter transportados camponeses pró-Morales para confrontar os manifestantes da oposição.

Homens mascarados arrastaram-na descalça pelas ruas e levaram-na até uma ponte, onde a obrigaram a ajoelhar-se. Cortaram-lhe então o cabelo e encheram-na de tinta vermelha.

Depois desta humilhação pública, os opositores de Morales obrigaram a autarca a assinar uma carta de demissão.

A humilhação de Patricia Arce terá durado algumas horas, até ser resgatada pela polícia - há imagens em que segue numa mota conduzida por um agente da autoridade.

"Sou livre e não me vou calar. Se me quiserem matar, matem. E como já disse um dia, por este processo de mudança vou dar a minha vida", disse aos jornalistas, depois de estar a salvo, mas ainda completamente pintada.

Comunistas portugueses condenam pressões externas

O Partido Comunista Português já tomou posição sobre os confrontos que assolam a Bolívia. Numa nota de solidariedade para com o povo boliviano, o PCP condena as ações "fomentadas por inaceitáveis pressões e inferências externas" que "colocam em causa o resultado das eleições presidenciais.

"Tais intentos, que nada têm que ver com uma pretensa defesa da democracia ou transparência, têm como verdadeiro objetivo desrespeitar a expressão da vontade popular e derrotar o processo de afirmação soberana, de progresso social e de emancipação em curso na Bolívia", acrescenta o PCP numa nota citada pela Lusa.

Quatro dias depois das eleições, Evo Morales reivindicou a vitória à primeira volta, ao assegurar que obteve mais de dez pontos percentuais do que Carlos Mesa. A oposição não aceita e acusa Morales de ter sido reeleito com recurso à fraude.

Desde essa altura têm-se registado confrontos entre apoiantes e opositores de Evo Morales e com as forças de segurança.

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