Ajuda ou interesse comercial? Mercenários russos combatem rebeldes em Moçambique

A Rússia está a ter cada vez mais influência em África. Dezenas de mercenários russos estão agora a ajudar as forças armadas moçambicanas a combater rebeldes junto das reservas de gás a norte do país.

Estes mercenários que estão a combater em Moçambique, um país rico em recursos naturais, são associados a Yevgeny Prigozhin, um oligarca de São Petersburgo tão próximo do Kremlin que é conhecido como o "chefe" do presidente Vladimir Putin.

Segundo a CNN, Yevgeny Prigozhin, cuja influência se este ao Sudão, Líbia e República Centro-Africana, é o financiador do grupo Wagner, do qual saíram centenas de combatentes para a Síria. As empresas deste oligarca foram sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por estas ações na Síria e pelo seu financiamento ao Internet Research Agency, responsável pelas tentativas russas de interferência nas eleições nos EUA em 2016.

Agora aparece associado à tentativa de estancar a rebelião em Moçambique, que ameaça interromper o investimento estrangeiro crucial nas reservas de gás natural do país, que se acredita valer biliões de dólares. Um negócio em que os russos parecem muito interessados.

Várias fontes disseram à CNN que a intervenção russa não começou bem. Dois dos mercenários, com idades entre os 28 e os 31 anos, foram mortos durante os confrontos com os rebeldes. Yevgeny Shabayev, que atua como porta-voz não oficial dos combatentes de Wagner, disse que os corpos dos dois homens já foram devolvidos de Moçambique para a sua região natal, Vladimir, a leste de Moscovo.

Fontes moçambicanas afirmaram à CNN que os mercenários estão baseados mais a norte, na cidade costeira de Mocimboa da Praia e estiveram envolvidos em várias operações ao longo da fronteira norte com a Tanzânia, onde a rebelião islâmica está a ganhar força. As mesmas fontes asseguram que os russos estão mal equipados para o combate no mato denso e que a relação entre os mercenários e o exército de Moçambique é tensa.

A Rússia tem negado qualquer ligação a estes mercenários. Dmitry Peskov, porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, afiançou aos jornalistas, no início de outubro que, "no que diz respeito a Moçambique, não há soldados russos lá". Mas a chegada dos mercenários russos em setembro deu-se na sequência da visita do presidente Filipe Nyusi, um mês antes, a Moscovo, sendo mesmo a primeira visita à Rússia de um chefe de Estado moçambicano em duas décadas. Durante a visita, os presidentes Putin e Nyusi assinaram acordos sobre recursos minerais, energia, defesa e segurança.

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