Agricultores de Huelva bloqueiam fronteira com Portugal para reclamar preços justos

Várias centenas de manifestantes bloquearam durante cerca de uma hora e meia a autoestrada A49, que liga a Andaluzia ao Algarve, perto da localidade fronteiriça de Ayamonte

Agricultores da província de Huelva (Espanha) manifestaram esta quinta-feira o seu receio de vir a ter de fechar as suas produções de frutos vermelhos e citrinos, caso os preços pagos ao produtor não subam acima dos custos de produção.

Esta foi a principal reivindicação feita esta quinta-feira pelas várias centenas de manifestantes que, com meia centena de veículos agrícolas, bloquearam durante cerca de uma hora e meia a autoestrada A49, que liga a Andaluzia ao Algarve, perto da localidade fronteiriça de Ayamonte, para exigir "preços mas justos" e protestar pela falta de água e pela subida contínua dos custos de produção.

Entre os manifestantes estava António Sánchez Esteves, um pequeno produtor de frutos vermelhos da zona de Villablanca, município vizinho de Ayamonte, que disse à agência Lusa querer saber "para quem vai a diferença de preço entre o valor pago à produção e o que é depois cobrado nas grandes superfícies" ao consumidor final.

"A nós pagam-nos três euros por quilograma de framboesa ou mirtilo, mas na loja está a 24 euros o quilo. Quem fica com essa diferença de dinheiro?", questionou, considerando que, "se nada se alterar brevemente, muitos produtores vão ter de encerrar portas", porque "os custos de produção sobem todos os anos" e "os preços não acompanham" a tendência.

José Landero também tem uma produção de frutos vermelhos, em Cartaya, e também se queixou das diferenças de custos de produção entre os agricultores espanhóis e da União Europeia, em comparação com os praticados em mercados externos fora dos 27, sobretudo os relativos à mão-de-obra. "Nós temos de pagar aos nossos funcionários 55 euros por 6,5 horas de trabalho, mas em Marrocos, por exemplo, trabalham oito horas ou mais por sete euros", exemplificou, afirmando que se trata de uma "concorrência desleal" que está a ser autorizada pela própria União Europeia.

Javier Luvre é um pequeno agricultor que produz morangos em Lepe e disse que só estava a participar no protesto desta quinta-feira, organizado pela União de Pequenos Agricultores de Huelva (UPA-Huelva), por solidariedade.

"Neste protesto estão pessoas que têm situações distintas: há pequenos agricultores, como eu, que temos cada vez mais dificuldade e ter preços acima dos custos de produção, e depois temos as grandes produtoras, que têm capacidade para definir preços com as grandes cadeias comerciais e são quem leva os subsídios", disse, considerando que assim se corre "o risco de fechar portas".

No protesto, os veículos bloquearam inicialmente a A49 (que dá acesso à ponte sobre o Guadiana, na ligação ao Algarve) no sentido Espanha -- Portugal, contudo, pouco depois, alguns dos manifestantes que seguiam a pé atrás da caravana saltaram o separador central da via e bloquearam o trânsito também no sentido Portugal -- Espanha, antes da saída 131 da A49 para Ayamonte Este.

O objetivo de reivindicar a melhoria dos preços pagos aos produtores agrícolas foi indicado pelo secretário-geral da União de Pequenos Agricultores de Huelva (UPA-Huelva), Manolo Piedra.

O protesto dos agricultores e criadores de gado da província espanhola está inserido nas "manifestações a nível nacional" que têm vindo a realizar-se na última semana em várias cidades espanholas, mas o foco estará centrado nos "problemas mais específicos que a província de Huelva tem relativamente a outras províncias", acrescentou.

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