Meryl Streep também vai fazer televisão

Cada vez é menos novidade o flirt das estrelas de cinema para protagonizar séries de TV.

A atriz Meryl Streep na terceira temporada de Big Little Lies foi notícia que empolgou Hollywood não por ser uma estrela de cinema a juntar-se a outras estrelas de cinema numa série de televisão mas sim por ser a estreia de Streep em televisão, apenas isso. Cada vez mais deixa de ser novidade esse frenesim de atores do grande ecrã por experimentarem o pequeno.

Uma série como Big Little Lies, cujo realizador Jean-Marc Valée também vem do cinema, é toda ela composta por estrelas de primeira grandeza do cinema (Shaleine Woodley, Reese Witherspoon e Nicole Kidman) e isso já não é novidade, antes pelo contrário. Com toda esta qualidade nas séries televisivas, é cada vez mais prestigiante para os atores estas aparições. E não é apenas em Hollywood, em Inglaterra também Tom Hardy preferiu investir em séries como Peaky Blinders e Taboo em vez de fazer mais um filme.

Atores com este estatuto não correm atrás do cheque com mais zeros mas sim do prestígio e dos papéis mais estimulantes. O caso de Meryl Streep é bem revelador; depois do cameo ampliado do novo Mamma Mia, Here we Go Again, um daqueles projetos que tem mesmo de fazer segundo as políticas da indústria de cinema americana, havia a necessidade de aceitar algo diferente. Ainda para mais, é um salto seguro. Meryl conhece a série, não está a atirar-se para um buraco negro, sabe que vai encontrar qualidade.

Das séries deste ano, o que não vão faltar são atores com créditos bem firmados no grande ecrã. Por exemplo, acabou de se estrear a nova criação de Ryan Murphy, The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, em que as estrelas são precisamente Penelope Cruz e Edgar Ramirez. The Looming Tower, com Alec Baldwin e Jeff Daniels, sobre a ascensão da Al-Qaeda, vai para o ar na América ainda neste mês. Mas há muito mais, como por exemplo alguns dos projetos Netflix, como a série de Cary Fukunaga Maniac, que reúne Emma Stone e Jonah Hill.

De alguma forma, a televisão de qualidade também pode ser o perfeito porto de abrigo para atores de cinema que procuram relançar as suas carreiras. Veja-se o caso de Melanie Linskey, atriz que no cinema só em Amizade sem Limites (1994), de Peter Jackson, teve real protagonismo. Depois de Togetherness e, agora, Castle Rock, vê-se de novo nas bocas do mundo. Ou ainda Sharon Stone, cada vez mais desamparada no cinema, mas neste momento a viver as delícias de um comeback forte na série Mosaic, do realizador Steven Soderbergh.

Seja como for, nos últimos dez anos o pequeno ecrã também promoveu novas estrelas de cinema. Que o digam Bryan Cranston (Breaking Bad), Millie Bobby Brown (Stranger Things), Claire Foy (The Crown) ou Jon Hamm (Mad Men).

Paradoxalmente, num futuro próximo, o real perigo passa por as movie stars quererem ter projetos televisivos de vaidade, os chamados "projetos de estimação".

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