Do 25 de Abril à Lisboa menina e moça. Conheça os grandes murais da capital

A arte urbana lisboeta captada pela reportagem fotográfica de Leonardo Negrão.

Lisboa está cada vez mais aberta à Arte Urbana e está a tornar-se numa autêntica galeria ao ar livre, tantos são os murais criados por diversos artistas que dão animação à capital portuguesa, uma das cidades mais procuradas pelos turistas antes da pandemia.

É hoje em dia uma forma de assinalar momentos históricos, abraçar causas e até homenagear figuras históricas. Ainda recentemente, Lisboa anunciou a eternização de um dos seus mais emblemáticos filhos, o fadista Carlos do Carmo, que morreu no primeiro dia de 2021. Na fachada cor-de-rosa de um prédio do bairro de Alvalade, o artista Mário Belém desenhou uma obra de arte denominada "Lisboa Menina e Moça", precisamente o título de um dos mais emblemáticos temas do fadista.

Outras personalidades estão eternizadas em murais espalhados pela cidade, sendo provavelmente a obra mais original aquela que distingue Amália Rodrigues, outra grande figura do fado que Vhils desenhou associando-a à histórica calçada portuguesa. Também o capitão Salgueiro Maia, um dos lideres da revolução de 25 de Abril de 1974, está retratado numa obra de Frederico Draw, Gonçalo Ribeiro, Add Fuel e Miguel Januário, em plena avenida de Berna.

Os escritores Lídia Jorge e José Cardoso Pires, os arquitetos Gonçalo Ribeiro Telles e Nuno Teotónio Pereira, o poeta e pintor Mário Cesariny, o músico Adriano Correia de Oliveira e ainda Francisco Lyon de Castro, ativista político opositor ao Estado Novo, entre outros, foram recriados em murais dispersos por Lisboa, onde também há lugar para assinalar o centenário de Nelson Mandela ou retratar a Saudade, recordar o comércio de antigamente ou até assinalar os 150 anos da abolição da Pena de Morte em Portugal. Destaque também para o trabalho, em Lisboa, do americano Shepard Fairey, criador de "Obama Hope", cartaz que se tornou popular em nos Estados Unidos.

Uma das obras mais belas será a de Deus Poseidon a olhar para o rio Tejo, pintada por PichiAvo na Calçada de Santa Apolónia. Mas, destaque merecem também os trabalhos de MrDheo e Pariz One na rua Conde Redondo. Contudo, a cidade tem também representadas causas como, por exemplo, a luta contra o racismo, com a pintura "Etnias - Todos Somos Um", na qual Kobra desenhou Raoni Metuktire, líder indígena brasileiro da etnia caiapó, também conhecido pela sua luta na preservação da Amazónia e dos povos indígenas.

carlos.nogueira@dn.pt

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