Xi jinping reconhece problemas: "Esperamos que a Europa adira a uma estratégia autónoma"

Xi Jinping reconheceu os problemas com a UE mas considera que ambas as partes podem ser parceiras estratégias em matérias como as alterações climáticas, conservação da biodiversidade ou na conectividade digital.

O Presidente da China, Xi Jinping, defendeu hoje que a União Europeia (UE) deve ser "mais autónoma" para enfrentar os problemas existentes entre as duas partes, que resultaram no congelamento do acordo de investimentos assinado em 2020.

Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim diz que as palavras do líder chinês foram transmitidas ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, através de uma conversa telefónica mantida esta sexta-feira (15 de outubro).

"Desde o início deste ano que as relações entre a China e a UE estão a enfrentar novos problemas [...]. Esperamos que a Europa adira a uma estratégia autónoma e trabalhe em conjunto para relançar as relações", afirmou Xi Jinping.

As relações entre Pequim e Bruxelas azedaram depois de, em 22 de março, os 27 terem sancionado quatro autoridades e uma entidade chinesa por supostas violações dos direitos humanos na região Uigur, em Xinjiang, medidas que foram as primeiras sancionatórias da UE contra a China desde o massacre da Praça Tiananmen, em 1989.

Pequim respondeu com medidas semelhantes contra eurodeputados, políticos, investigadores e entidades europeias que criticam a China.

Como consequência, em maio, o Parlamento Europeu congelou o processo de ratificação do acordo de investimentos alcançado pela UE e a China em dezembro de 2020, após sete anos de negociações, com uma resolução aprovada por ampla maioria.

Nessa resolução foi rejeitado avançar com a aprovação enquanto Pequim mantiver em vigor as sanções.

Na conversa telefónica com Michel, Xi Jinping sublinhou que a China e a UE "são duas forças independentes" e "parceiros estratégicos", e que ambas estão interessadas em "promover relações saudáveis".

No entanto, o Presidente chinês reiterou que a China "nunca deixará de defender sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento", questões que Pequim considera inegociáveis.

"A UE deve distinguir o certo do errado e trabalhar com a China", insistiu.

Xi Jinping acrescentou que os dois blocos podem reforçar a cooperação em temas como as alterações climáticas, conservação da biodiversidade ou na conectividade digital.

Além da disputa sobre sanções, fontes diplomáticas e empresariais europeias com sede na China denunciaram a desigualdade que as suas empresas enfrentam ao entrar e competir no mercado chinês, sobretudo no que diz respeito às perspetivas das empresas e dos investimentos no país.

Em setembro passado, a Câmara de Comércio da União Europeia na China expressou preocupação com a mudança para a autossuficiência defendida por Pequim, destacando que as empresas europeias "não têm certeza de até que ponto poderão contribuir para o crescimento futuro do país".

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