Vila Nova canta vitória mas falta segunda volta

Candidato Carlos Vila Nova chegou a declarar-se vencedor das presidenciais, mas ainda há pedido de recontagem e segunda ronda.

Os candidatos Carlos Vila Nova e Posser da Costa passaram à segunda volta das eleições presidenciais em São Tomé e Príncipe, que deverá realizar-se em 8 de agosto, após o escrutínio deste domingo, segundo dados provisórios anunciados na segunda-feira à tarde.

A notícia foi recebida com alegria por centenas de apoiantes de Carlos Vila Nova, que desfilaram nas ruas da capital são-tomense para celebrar o resultado. Dezenas de carrinhas de caixa aberta e carros transportaram simpatizantes que se concentraram junto da sede da Comissão Eleitoral Nacional (CEN) e daí partiram, em cortejo, em direção à Praça da Independência.

Juntaram-se ao desfile centenas de pessoas envergando t-shirts e bonés e agitando bandeiras da candidatura de Vila Nova. Num camião com um palco móvel atuaram vários cantores que animaram ainda mais o clima de festa.

O presidente da Assembleia Nacional, Delfim Neves, não se conforma com o terceiro lugar, que diz ser resultado de "fraude massiva", e quer contestar os resultados.

De acordo com os resultados provisórios, anunciados hoje pelo presidente da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Fernando Maquengo, o candidato apoiado pela Ação Democrática Independente (ADI, oposição), Carlos Vila Nova, foi o mais votado, com 39,4% (32 022 votos), seguido de Guilherme Posser da Costa (Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata, no poder), com 20,7% (16 829 votos).

Terceiro quer impugnar

Em terceiro lugar ficou Delfim Neves, presidente da Assembleia Nacional e apoiado pelo Partido da Convergência Democrática (no poder), com 16,8% (13 691 votos). Neves reagiu aos resultados com o anúncio de que iria contestar os resultados por suspeita de "fraude massiva". "O que estamos a fazer num primeiro momento é solicitar a recontagem dos votos [nas mesas] onde não estamos representados", disse o presidente da Assembleia, em conferência de imprensa na capital são-tomense. Em causa estão as mesas onde a candidatura de Delfim Neves não estava representada. Por lei, cada mesa pode ter até cinco representantes, um por candidatura. Uma vez que nesta eleição havia 19 candidatos, a sua teve representantes em 84 das cerca de 300 mesas.

"Não posso concordar que, numa localidade onde passámos, tem uma estrutura alimentada por nós, a trabalhar na nossa candidatura, e que votaram todos naquela mesa, tem um voto" a favor da sua candidatura, exemplificou Delfim Neves, que garantiu que a sua candidatura vai contestar os resultados. O candidato garantiu, todavia, que aceitará os resultados, caso se confirme o que está descrito nas atas: "Aceito, com plena consciência. Eu sou um democrata."

Quase ao mesmo tempo, a missão da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) exortou os candidatos e todos os outros atores políticos "a respeitarem o veredicto das urnas". A organização regional concluiu que o escrutínio se desenrolou "num clima de serenidade" e que o "entusiasmo dos eleitores, nomeadamente jovens, foi assinalável", mas não se deteve sobre a transparência do ato.

De manhã, Vila Nova chegou a reivindicar a vitória na primeira volta de um escrutínio que registou uma abstenção de 32,2% e no qual o presidente Evaristo Carvalho não se recandidatou.

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