Trump atribui a Medalha da Liberdade a lusodescendente Devin Nunes

Um dos republicanos mais próximos de Donald Trump, o lusodescendente Devin Nunes foi distinguido pela "integridade inatacável e determinação inabalável" com a Medalha da Liberdade, a mais alta homenagem "civil da nação".

De "talento incomparável, integridade inatacável e determinação inabalável". É assim que a Casa Branca descreve o congressista republicano Devin Nunes que, na segunda-feira, foi distinguido pelo Presidente cessante, Donald Trump, com a Medalha da Liberdade, a mais alta homenagem "civil da nação".

A atribuição desta distinção decorreu à porta fechada, de acordo com Judd Deere, porta-voz da Presidência norte-americana, e é concedida pelo chefe de Estado a cidadãos "que fizeram contribuições especialmente meritórias para a segurança ou os interesses nacionais dos Estados Unidos, para a paz mundial ou para atividades culturais ou outras iniciativas públicas ou privadas significativas".

O congressista, de origem açoriana, um dos republicanos mais próximos de Trump, liderou a Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, período durante o qual decorreu a investigação sobre a alegada interferência russa nas eleições presidenciais de 2016.

Em comunicado, a Casa Branca elogiou o trabalho de Devin Nunes na defesa de Donald Trump no caso das suspeitas da ingerência da Rússia nas eleições. O lusodescencente também apoiou o presidente no processo de impeachment. Refira-se que Trump foi acusado de pressionar o seu homólogo da Ucrânia para avançar com investigações sobre o filho de Joe Biden, que o poderiam beneficiar politicamente, nomeadamente nas eleições presidenciais de 3 de novembro, ganhas pelo democrata. A Câmara dos Representantes, de maioria democrata, votou pela destituição de Trump, mas o Senado, liderado pelos republicanos, absolveu Trump.

As "ações corajosas de Nunes ajudaram a frustrar uma conspiração para derrubar um presidente em exercício dos Estados Unidos", destaca a Casa Branca, referindo ainda que Nunes "descobriu o maior escândalo da história americana".

Segundo a administração de Trump, "os esforços de Devin" levaram à demissão ou despromoção "de mais de uma dúzia de funcionários do FBI e do DOJ [Departamento de Justiça dos EUA]". Salienta que foi o congressista pela Califórnia quem "forçou a divulgação de documentos que provavam que um oficial corrupto do FBI" levava a cabo "uma perseguição vingativa ao general Michael Flynn - mesmo depois de agentes do FBI não terem encontrado evidências de irregularidades".

Michael Flynn declarou-se culpado por ter mentido ao FBI sobre as conversas que manteve com o então embaixador russo em Washington sobre as sanções dos EUA à Rússia, mas o presidente perdoou-o em novembro ainda antes de receber a revisão do caso por parte de um juiz federal.

A Casa Branca enaltece a coragem do lusodescendente nos últimos anos. "O congressista Nunes perseguiu o embuste da Rússia correndo um grande risco pessoal e nunca parou de defender a verdade", sublinha a Casa Branca, afirmando que "Devin pagou um preço pela sua coragem". "Os media difamaram-no e ativistas liberais abriram uma investigação ética frívola e injustificada, arrastando o seu nome na lama por oito longos meses. Duas dúzias de elementos da sua família receberam telefonemas ameaçadores - incluindo a sua avó de 98 anos", lê-se no comunicado.

Se Devin Nunes é visto como um combatente pela liberdade por parte de Trump, as suas ações são controversas. Na Câmara dos Representantes lançou a ideia de que toda a investigação do FBI às ligações russas de Trump se baseava apenas no chamado dossier Steele, e exigiu a publicação do relatório do FBI (que na realidade não se limitava ao documento do britânico Christopher Steele), no que ficou conhecido como #ReleaseTheMemo.

Em 2019, Nunes foi notícia por ter processado por difamação vários órgãos de comunicação, da CNN ao Washington Post, mas também o Twitter por existir uma conta de paródia chamada Devin Nunes cow (a vaca de Devin Nunes). As suas opiniões céticas em relação às alterações climáticas ou à covid-19 também valeram críticas na imprensa.

Eleito para o congresso quando tinha 29 anos

A Presidência norte-americana recorda que Devin Nunes cresceu no campo, em San Joaquin Valley, na Califórnia. Foi eleito para o congresso norte-americano em 2002, quando tinha 29 anos, tendo-se tornado "um defensor incansável" dos proprietários dos agronegócios californianos, referindo a vitória na luta pela canalização de água no Central Valley.

Em 2014 Devin Nunes foi escolhido para presidir à Comissão dos Serviços Secretos da Câmara dos Representantes. Durante esta liderança opôs-se ao acordo nuclear com o Irão, e liderou os esforços para divulgar os documentos apreendidos no ataque a Bin Laden, que provavam a colaboração da Al Qaeda com o Irão.

A Casa Branca refere que, em 2017, Devin Nunes lançou uma investigação à "má conduta" da administração Obama-Biden durante a eleição de 2016, e "começou a desenterrar o crime do século", com a descoberta de que o "Dossier Steele foi financiado pela campanha de Clinton e o Comité Nacional Democrata".

Numa entrevista ao Diário de Notícias, a 24 de novembro, Devin Nunes considerou que os EUA tornaram-se mais fortes com Trump. "O Presidente Trump remodelou tanto o Partido Republicano quanto o governo federal para se concentrar nas necessidades quotidianas da classe trabalhadora americana. É um legado substancial, único e orgulhoso."

O republicano disse ainda que "Biden é pouco mais do que um testa-de-ferro para Obama".

Devin Nunes, o mais destacado político lusodescendente nos EUA desde Tony Coelho (democrata), foi reeleito para a Câmara dos Representantes, assim como os democratas Jim Costa (pela Califórnia) e Lori Loureiro Trahan (Massachussetts) e o republicano David Valadão (Califórnia).

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