Talibãs retomam lei de amputações e execuções

Nooruddin Turabi, um dos líderes dos talibãs, considera que as execuções e amputações são "necessárias para a segurança".

Os talibãs vão fazer regressar as execuções e a amputação das mãos dos criminosos, num regresso à antiga versão da justiça islâmica, informa o The Guardian.

De acordo com Nooruddin Turabi, líder veterano do grupo islâmico que foi anteriormente responsável pela justiça, as execuções não vão ocorrer em público, tal como acontecia antes.

O primeiro período dos Talibãs no Afeganistão durante a década de 1990, antes de serem derrubados pela invasão dos EUA em 2001 logo após os ataques de 11 de setembro, foi marcado pelas medidas extremas do sistema de justiça que implementou execuções públicas no estádio de futebol em Cabul.

Numa entrevista à Associated Press, Nooruddin Turabi rejeitou a indignação pelas execuções dos Talibãs no passado, que ocorriam em frente de multidões num estádio, e advertiu contra a interferência no novo governo do Afeganistão.

Neste novo governo Talibã, Turabi é o responsável pelas prisões. Está entre vários líderes talibãs, incluindo membros do gabinete interno que estão numa lista de sanções das Nações Unidas.

"Todos nos criticaram pelos castigos no estádio, mas nós nunca dissemos nada sobre outras leis e castigos", disse Turabi em Cabul. "Ninguém nos deve dizer quais devem ser as nossas leis. Seguimos o Islão e faremos as nossas leis segundo o Alcorão".

"A amputação das mãos é necessária para a segurança", acrescentou, reforçando que este castigo tinha um efeito dissuasor. O Líder assegurou que estão a estudar a possibilidade de fazer execuções em público e que vão "desenvolver uma política".

Desde que os Talibãs tomaram o poder em Cabul, a 15 de agosto, que os afegãos e o mundo têm estado atentos para ver se as duras medidas do governo do final dos anos 90 vão regressar. Já nessa altura, foram denunciados os castigos dos Talibãs no estádio desportivo de Cabul e nos terrenos da mesquita Eid Gah. As execuções eram geralmente feitas com um único tiro na cabeça, que era dado por um membro da família da vítima, que tinha ainda a opção de aceitar dinheiro e permitir que o culpado vivesse. As amputações de mão eram aplicadas em casos de roubo e em crimes mais graves uma mão e um pé eram amputados.

Os julgamentos e as condenações raramente eram públicos e as sentenças eram ponderadas segundo os clérigos islâmicos. Por agora, Turabi afirma que os juízes, incluindo as mulheres, vão julgar os casos tendo em conta as leis baseadas no Alcorão.

Neste novo governo afegão, os talibãs já retomaram um outro castigo: a humilhação pública de homens acusados de pequenos roubos. Em Cabul, na semana passada, vários homens acusados de furto foram amarrados à parte de trás de uma camioneta, sendo obrigados a desfilar perante várias pessoas. Num dos casos, o rosto de um dos homens foi pintado para ser identificado como ladrão. No outro, pão estragado foi-lhe pendurado pelo pescoço e enfiado na boca até não caber mais.

Durante o anterior regime Talibã, Turabi era um dos mais intransigentes executores do grupo. Quando os Talibãs tomaram o poder em 1996, uma das suas primeiras ações foi gritar com uma jornalista feminina, exigindo que abandonasse uma sala "só para homens" e esmurrou cada homem que se opôs.

Apesar dos comentários internacionais sobre a justiça, Turabi insistiu que os talibãs atuais eram diferentes uma vez que o grupo agora permite televisões, telemóveis, fotografias e vídeos por ser "uma necessidade da população".

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