Putin ameaça Ocidente com "retaliação militar". Mísseis hipersónicos estão "em modo de combate"

Líder russo diz querer solução diplomática e uma cimeira sobre a Ucrânia, mas ameaça com "medidas hostis" à "linha agressiva" do Ocidente.

Vladimir Putin voltou a usar um tom ameaçador para com o Ocidente enquanto acusou os Estados Unidos de fornecer mercenários para o leste da Ucrânia. "No caso de uma clara continuação da linha agressiva dos colegas ocidentais, tomaremos as devidas medidas de retaliação técnico-militares. Reagiremos com dureza às suas medidas hostis", disse o presidente russo durante uma reunião no Ministério da Defesa.

O líder russo arrogou-se "perfeitamente ao direito" de represálias para "garantir a segurança e soberania da Rússia". Alega que os Estados Unidos e a NATO estão a armar a Ucrânia e a destacar forças para o mar Negro. Já o ministro da Defesa Serguei Shoigu acusou Washington de preparar "provocações" e de enviar 120 mercenários para formar "forças especiais ucranianas e grupos radicais para ações de combate". Há dezenas de milhares de soldados russos agrupados não longe da fronteira com a Ucrânia. Shoigu disse ainda que os Estados Unidos preparam o envio de "um componente químico indeterminado" para a frente do conflito entre tropas ucranianas e separatistas pró-russos.

Durante a reunião com os generais, Putin e Shoigu lembraram que os mísseis hipersónicos - com capacidade de escapar às defesas antimíssil - estão "em modo de combate" e que o arsenal nuclear russo continua a ser modernizado para se adaptar a este novo armamento. O ministro anunciou ainda triplicar o número de mísseis de cruzeiro até 2026 e aumentar o orçamento do ministério.

No entanto, Putin mostra ao mesmo tempo querer negociar ao dizer preferir uma "solução politico-diplomática". Essa solução passa, como foi tornado público na semana passada, pelas exigências de que a NATO retire as suas forças da Polónia, Lituânia, Letónia e Estónia e que a Ucrânia e a Geórgia nunca venham a fazer parte daquela aliança de defesa. Em troca, Moscovo concorda em reduzir a dimensão dos exercícios militares junto às fronteiras e discutir a instalação de mísseis.

Estas pretensões russas foram rejeitadas em primeiro lugar pelo Conselho do Atlântico Norte, o órgão político da NATO. "Apoiamos o direito de todos os países a decidirem o seu próprio futuro e a sua política externa livre de interferências estrangeiras", disse o Conselho. "A relação da NATO com a Ucrânia é um assunto que diz respeito apenas à Ucrânia e aos 30 aliados da NATO." Também a nova ministra da Defesa alemã, em visita às tropas alemãs estacionadas na Lituânia, rejeitou a formulação de Putin. "Temos de falar uns com os outros, o que significa discutir as propostas que a Rússia apresentou, mas não pode ser a Rússia a ditar aos parceiros da NATO a forma como se posicionam, e isso é algo que deixaremos muito claro", disse Christine Lambrecht.

Segundo o Kremlin, após o discurso, o líder russo falou ao telefone com o presidente francês Emmanuel Macron e com o chanceler alemão Olaf Scholz. Além de ter transmitido "votos de Natal e Ano Novo", Putin propôs a realização de uma cimeira que inclui Paris, Berlim, Washington e Kiev para abordar a situação na Ucrânia.

cesar.avo@dn.pt

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