Procuradoria de Nova Iorque acusa Trump de distorcer valor das suas propriedades

Procuradora Letitia James afirma ter encontrado um número significativo de alegadas discrepâncias entre a situação real das propriedades do ex-Presidente e o que foi declarado a entidades financeiras, seguradoras e perante o Departamento de Receita Federal

As empresas do ex-Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, inflacionaram ou distorceram o valor das suas propriedades perante investidores e seguradoras, segundo um relatório da procuradora de Nova Iorque, Letitia James.

O relatório de 160 páginas - esta quarta-feira divulgado e tornado público pelos media norte-americanos - afirma ter encontrado um número significativo de alegadas discrepâncias entre a situação real das propriedades do ex-Presidente e o que foi declarado a entidades financeiras, seguradoras e perante o Departamento de Receita Federal (IRS, responsável pela arrecadação de impostos), para obter vantagens de milhões de dólares.

Com este relatório, Letitia James procura sustentar o seu pedido para que tanto Donald Trump como os seus filhos tenham de testemunhar em processos que decorrem em tribunais de Nova Iorque, e nos quais são alvo de uma intensa investigação devido à possibilidade de a Trump Organization, que reúne as empresas do ex-Presidente, ter cometido fraudes, entre 2004 e 2020.

Donald Trump, por sua vez, tem tentado impedir que o Ministério Público o investigue a si ou aos seus filhos sobre a contabilidade das suas empresas, tendo acusado James de estar a promover uma "caça às bruxas" por motivações partidárias, já que a procuradora-geral democrata está a concorrer à sua reeleição ainda este ano.

De acordo com o relatório de Letitia James, as distorções e falsificações do ex-Presidente republicano inflacionando o valor das suas propriedades seriam parte de um esquema para sugerir que o seu património líquido era mais elevado.

Apesar de todos os relatórios e documentos incriminatórios apresentados, a procuradora-geral de Nova Iorque insiste na necessidade de fazer testemunhar tanto o ex-Presidente como os seus filhos Ivanka e Donald Junior, para esclarecer quem é o responsável por estes erros e omissões e se eles foram cometidos inadvertidamente.

"Até janeiro de 2017, a sra. (Ivanka) Trump era o principal contacto do maior credor da Trump Organization, o Deutsche Bank. Relacionado com essa posição, a sra. Trump era responsável por enviar ao Deutsche Bank e ao Estado federal documentos financeiros erróneos", de acordo com o relatório.

O texto também especifica que "desde 2017, Donald Trump Junior tinha autoridade sobre inúmeros documentos contendo estimativas falsas de ativos", em particular uma suíte localizada na Trump Tower, declarada por um valor três vezes superior à sua real dimensão.

"Os Trump devem respeitar as nossas intimações legais para documentos e testemunhos, porque ninguém neste país pode escolher se e como a lei se lhes aplica", disse Letitia James, num comunicado.

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