Principal informador do dossier do FBI sobre alegadas ligações Trump-Rússia acusado

Igor Danchenko é a terceira pessoa, e a segunda em dois meses, a enfrentar acusações na investigação que deu origem ao dossier Trump-Rússia

Igor Danchenko, principal fonte de informação de um dossier de 2016 sobre alegadas ligações à Rússia do ex-presidente norte-americano Donald Trump, foi esta sexta-feira formalmente acusado de mentir ao FBI, revelou o o Departamento de Justiça.

De nacionalidade russa, Danchenko é a terceira pessoa, e a segunda em dois meses, a enfrentar acusações na investigação conduzida pelo advogado especial John Durham sobre as origens da investigação, que deu origem ao dossier Trump-Rússia.

Após uma breve comparência perante um juiz, na qual o seu advogado indicou que o cidadão russo pretendia declarar-se inocente, Danchenko foi libertado sob fiança de 100 mil dólares.

O acusado tem ligações ao ex-agente dos serviços de informações britânicos Christopher Steele.

O analista de 43 anos é alvo de cinco acusações por fazer declarações falsas a investigadores sobre fontes de informação que forneceu a Steele.

A informação foi posteriormente incluída no dossier que foi entregue ao FBI no âmbito de uma investigação às ligações russas do ex-presidente e fundamentou mandados de vigilância visando um ex-assessor de campanha de Trump.

De acordo com procuradores federais, citados pelo USA Today, Danchenko alegou falsamente que obteve informações de um interlocutor anónimo que informou que havia "comunicações em curso entre a campanha de Trump e as autoridades russas e que o interlocutor indicou que o Kremlin poderia ajudar na eleição de Trump".

Steele elaborou o relatório para a empresa Fusion GPS, que havia sido contratada por um escritório de advogados que representava o Comité Nacional Democrata e a campanha de Hillary Clinton.

O dossier, publicado pela primeira vez pelo site informativo BuzzFeed pouco antes da tomada de posse de Trump em 2017, sugeria em parte que a Rússia havia obtido informações comprometedoras como parte de um esforço do Kremlin para promover Trump.

O seu conteúdo tornou-se parte da investigação do FBI sobre a interferência russa na campanha de 2016 e foi usado para sustentar os pedidos de vigilância do ex-conselheiro da campanha Trump, Carter Page.

Na altura, o FBI baseou a sua avaliação de Page, apresentado como parte de uma "conspiração de colaboração bem coordenada" entre a campanha de Trump e o governo russo, nas informações reunidas por Steele, com a ajuda de Danchenko.

Uma revisão subsequente dos pedidos de vigilância do FBI pelo inspetor geral do Departamento de Justiça revelou que os pedidos de vigilância da agência estavam repletos de erros.

De acordo com os procuradores, Danchenko forneceu relatos diferentes sobre uma grave acusação de natureza pessoal - de que Trump se relacionou com prostitutas num hotel de Moscovo que estava sob forte vigilância das autoridades russas.

Durham foi nomeado pelo ex-procurador-geral William Barr em 2019 para examinar possíveis abusos por parte do FBI.

Desde a nomeação, a investigação do procurador federal de Connecticut resultou numa condenação contra um advogado do FBI que se declarou culpado de alterar um e-mail usado para justificar vigilância.

Os democratas consideraram a investigação de Durham como politicamente motivada, mas o governo Biden não a deteve.

Robert Mueller, ex-diretor do FBI, viria a encontrar laços questionáveis entre a campanha de Trump e a Rússia, mas não provas suficientes para prosseguir com as acusações criminais.

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