Polícia faz buscas na casa de aliados de Bolsonaro suspeitos de incitar à violência

A Polícia Federal brasileira procura provas de eventuais crimes de incitamento da população a praticar atos violentos e ameaçadores contra a democracia.

A Polícia brasileira realizou esta sexta-feira buscas nas residências e propriedades do deputado Otoni de Paula e do cantor Sérgio Reis, aliados do presidente Jair Bolsonaro, no âmbito de uma investigação sobre incitação à violência e ameaça à democracia.

Num comunicado, a Polícia Federal brasileira frisou que "o objetivo das medidas é apurar o eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a democracia, o Estado de direito e suas instituições, bem como contra os membros dos poderes".

Segundo a autoridade policial, os mandados de busca e prisão foram cumpridos em Brasília, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Ceará e Paraná.

As buscas foram pedidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e autorizadas pelo magistrado do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, instrutor da investigação sobre notícias falsas que decorre no mais alto tribunal do país.

A investigação começou em 2019 limitada à divulgação de notícias falsas pela Internet, mas recentemente concentrou-se na possível existência daqueles que têm sido descritos como grupos "digitais antidemocráticos", principalmente da extrema-direita que apoiam o Presidente brasileiro.

Entre os investigados nesse processo está também o próprio Jair Bolsonaro, que nos últimos meses lançou uma contínua campanha de descrédito contra as urnas eletrónicas utilizadas nas eleições realizadas no Brasil desde 1996.

Otoni de Paula que é deputado federal pelo Partido Social Cristão (PSC) já havia sido denunciado pela PGR em 2020 pelos crimes de difamação, calúnia e coerção.

A denúncia surgiu porque, em meados do ano passado, o legislador lançou vários ataques durante transmissões ao vivo pela Internet contra Alexandre de Moraes.

Perante as ações das autoridades, o parlamentar disse em mensagem publicada nas redes sociais que não tem "o que temer, pois nunca" incitou "a população contra as instituições basilares da República".

"Mas sou e continuarei sendo crítico ao comportamento", acrescentou.

O investigado também afirmou que quanto a ter adjetivado o juiz Alexandre de Moraes de "déspota, lixo e esgoto do STF", já foi "processado por ele" e está "recorrendo da sentença de pagamento" de indemnização.

Além do deputado, a polícia também fez buscas na residência e vários bens de Sérgio Reis, renomado cantor brasileiro.

Reis se tornou alvo dos investigadores depois de um áudio produzido por si, no qual faz ameaças de invasão do Senado e também defende a paralisação de motoristas de camião para pressionar parlamentares a afastar juízes do STF, se ter tornado público.

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