Papa Francisco quer que nulidade de casamentos seja processo acessível e ágil

Papa criticou os notários e vigários judiciais que resistiram à sua reforma dos processos matrimoniais

O Papa Francisco solicitou esta sexta-feira ao Tribunal Apostólico da Rota Romana e aos demais tribunais da igreja que tornem mais acessíveis e ágeis os procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade de casamentos.

O pontífice argentino falava esta sexta-feira na inauguração do ano Ano Judiciário do Tribunal Apostólico da Rota Romana, no Vaticano.

"Solicita-se ao vosso Tribunal Apostólico, bem como aos demais Tribunais da Igreja, que sejam tornados mais acessíveis e ágeis os procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade, e eventualmente gratuitos", disse Francisco.

Utilizando a metáfora "é pelo dinheiro que o macaco dança", o Papa criticou os notários e vigários judiciais que resistiram à sua reforma dos processos matrimoniais - introduzindo a gratuidade há anos para os fiéis que não tinham dinheiro - recusando realizar os processos com brevidade apenas por razões financeiras.

O Papa Francisco introduziu a reforma da anulação do casamento em 2015, que encerrou um procedimento de 300 anos, com a introdução de um "processo curto" e "livre" para alcançá-lo.

Por outro lado, Francisco pediu que o processo de nulidade incidisse também "nos filhos, enquanto vítimas inocentes de tantas situações de rutura, divórcio ou nova união civil".

A esse respeito, o Papa quis refletir sobre como dar a comunhão aos separados e recasados.

"Como explicar aos filhos que, por exemplo, a sua mãe, abandonada pelo pai e muitas vezes relutante em estabelecer outro vínculo matrimonial, recebe a comunhão dominical, enquanto o pai, vivendo junto ou aguardando a declaração de nulidade do casamento, não pode participar da Eucaristia?", perguntou.

Diante disso, explicou que na exortação apostólica Amoris laetitia, na qual o tema foi abordado, foram dadas indicações claras "para que ninguém, principalmente os mais pequenos e os que sofrem, seja deixado sozinho ou tratado como meio de chantagem entre pais divididos".

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