Exclusivo "O povo turco vê o seu futuro na União Europeia"

Lisboa, com Portugal a assumir a presidência semestral da UE, foi escolhida como primeira capital estrangeira visitada em 2021 pelo ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavuşoğlu. Veio para reafirmar o compromisso europeu, mas também falou de negócios.

Portugal assume neste semestre a presidência da União Europeia. A Turquia, candidata oficial à adesão, espera alguma evolução nos próximos meses?
Nós vemos a presidência da UE de Portugal como uma oportunidade para abrir caminho a relações mais justas e saudáveis entre a Turquia e a UE. Nós sempre valorizámos o apoio de princípio de Portugal em relação ao alargamento, ao processo de adesão da Turquia à UE e à melhoria das relações entre a Turquia e a UE. Estamos confiantes que Portugal está ciente do valor acrescentado que a Turquia tem para a UE. Após a última cimeira da UE, existe uma janela de oportunidade para uma agenda positiva que irá beneficiar ambos os lados. E a melhor ferramenta para isso é, de facto, a revisão da Declaração UE-Turquia de 18 de março sobre migração. Este é o melhor exemplo de como a Turquia e a UE podem agir com sucesso para contribuir para a segurança, a estabilidade e a prosperidade da região. Tal como acordado pelo presidente Erdogan, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a 9 de março de 2020, em Bruxelas, nós precisamos de renovar a Declaração através do reforço da perspetiva da Turquia sobre a UE, do começo do processo de modernização da União Aduaneira Turquia-UE, da revitalização do diálogo de alto nível e das cimeiras, do encorajamento da liberalização dos vistos, e de uma melhor cooperação na gestão da migração irregular e da luta contra o terrorismo. Já tínhamos começado um exercício de revisão da Declaração com a Comissão, no entanto, este foi bloqueado por alguns Estados membros numa fase adiantada. A Turquia sempre demonstrou a sua posição de princípio relativamente à desescalada e ao diálogo. Ainda assim, isto não é suficiente. A UE deve encorajar todos os seus membros a adotarem uma abordagem mais positiva e construtiva.

Portugal pode fazer a diferença?
Continuaremos a contar com o apoio e a sabedoria estratégica de Portugal para, em conjunto, reconduzir as relações numa via mutuamente benéfica durante a sua presidência da UE. É importante que a presidência portuguesa trate todos os candidatos em pé de igualdade e os convide a todos para reuniões com países candidatos, como o Gymnich e a Conferência sobre o Futuro da Europa.

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