Líderes saem de cena após novos compromissos

Mais de cem países prometem cortar emissões de metano e acabar com a desflorestação até 2030 no segundo e último dia da cimeira com a presença dos líderes mundiais. As ONG mostram-se céticas.

O primeiro-ministro britânico anunciou que 110 países, representando 85% das florestas do planeta, assinaram um compromisso para travar e inverter a desflorestação e degradação dos solos até ao final da década, apoiados por 19 mil milhões de dólares em fundos públicos e privados para investir na proteção e restauração das florestas. Boris Johnson declarou que "proteger as florestas não é apenas uma ação para combater a mudança climática, mas também um ideal para um futuro mais próspero". No entanto, os ambientalistas recordam que um acordo anterior, de 2014, que prometia travar o desmatamento em 50% até 2020 falhou por completo - só no ano passado uma área equivalente aos Países Baixos foi devastada. E dizem que, sem mais financiamento e supervisão independente, este seguirá o mesmo caminho.

O chefe do governo britânico realçou que Brasil, China e Rússia estão entre os países que firmaram o acordo, mas também a Indonésia e a República Democrática do Congo, onde estão a maioria das florestas tropicais, em conjunto com o Brasil. Quer o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, quer o presidente russo Vladimir Putin, enviaram mensagens de vídeo em apoio à declaração.

"Há uma razão muito boa para que Bolsonaro se sinta à vontade para assinar este novo acordo", reagiu a Greenpeace, pela voz da diretora da organização no Brasil, Carolina Pasquali. "Permite mais uma década de destruição de florestas e não é vinculativo. Entretanto, a Amazónia já está à beira do abismo e não pode sobreviver anos a mais desflorestação. Os povos indígenas exigem que 80% da Amazónia seja protegida até 2025, e têm razão", concluiu. Também o secretário-geral da ONU António Guterres, embora tenha saudado o compromisso, mostrou-se cético. "Assinar é a parte fácil."

Mais de 30 instituições financeiras a assinaram a declaração. No entanto, muitos grandes bancos não participantes estão entre os maiores investidores em empresas ligadas à desflorestação, disse à Thomson Reuters Foundation Danny Marks, professor de política ambiental na Universidade de Dublin. "Para que a declaração seja bem-sucedida estes bancos devem ser penalizados ou ainda melhor proibidos de emprestar a empresas do agronegócio que conduzem à desflorestação e têm estado implicados em violações dos direitos humanos", disse Marks.

Os negócios sujos relacionados com a exploração desenfreada da natureza levaram ao assassínio de mais de mil ativistas e indígenas desde 2015 quando foi assinado o Acordo de Paris, lembra a ONG Global Witness.

Também em relação ao metano, o segundo gás com efeito de estufa ligado à atividade humana, e com um efeito de aquecimento superior ao CO2 até 80 vezes superior, 104 países anunciaram juntar-se para reduzir as emissões em pelo menos 30% até 2030. Entre os estados estão seis dos dez maiores poluidores, mas não a China, a Índia e a Rússia.

A economia russa depende da produção de petróleo e gás, a origem da maior parte da poluição mundial por metano. Nos últimos meses, imagens de satélite detetaram "nuvens" de metano oriundos de gasodutos russos que eram muito maiores do que as comunicadas oficialmente, como demonstra o Washington Post.

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