Itália autoriza desembarque dos 406 migrantes a bordo do navio 'Sea-Watch 3'

406 migrantes resgatados no Mediterrâneo vão ser acolhidos por Itália, após vários dias de espera.

Itália autorizou o navio humanitário da organização não-governamental (ONG) alemã Sea-Watch a desembarcar no porto de Pozzallo (Sicília) os 406 migrantes resgatados no Mediterrâneo que tem a bordo há vários dias, foi divulgado esta sexta-feira (22 de outubro).

"Após dias de espera, as autoridades italianas designaram-nos Pozzallo como porto de desembarque", anunciou a ONG alemã através das redes sociais, depois de ter relatado na quarta-feira que a situação a bordo do navio 'Sea-Watch 3' estava a deteriorar-se devido ao período de espera e às más condições meteorológicas registadas na zona de navegação.

O navio, que chegou no sábado passado à zona do Mediterrâneo Central (uma das rotas migratórias mais mortais, que sai da Líbia, Argélia e da Tunísia em direção à Itália e a Malta), realizou em apenas 24 horas, entre domingo e segunda-feira, sete operações de resgate, salvando em alto mar um total de 412 migrantes, incluindo 150 menores, um deles um bebé com uma semana de vida.

Nas últimas horas, a Guarda Costeira italiana respondeu aos pedidos de socorro da ONG alemã e retirou do navio seis mulheres, incluindo uma grávida (que deu à luz após ter sido retirada da embarcação) e outras que apresentavam queimaduras graves no corpo.

Outras 105 pessoas, incluindo vários menores de idade, resgatadas no Mediterrâneo pelo navio humanitário espanhol 'Aita Mari' no passado dia 19 de outubro ainda aguardam uma autorização para desembarcar num porto europeu seguro.

Perante a ausência de resposta por parte das autoridades de Malta aos pedidos dos navios de resgate humanitário, Itália está a assumir neste momento todo o fluxo de migrantes da rota central.

Antes de viajar para a cimeira europeia, a decorrer desde quinta-feira em Bruxelas, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, afirmou que, durante este verão, "Itália continuou a cumprir com as obrigações de resgate marítimo internacional" para "defender os valores europeus de solidariedade e de acolhimento", mas defendeu que "a Europa deve fazer mais" para "promover canais de migração legal".

Itália, a par de Espanha, Grécia, Malta ou Chipre, é um dos países da "linha da frente" ao nível das chegadas de migrantes irregulares à Europa.

Mais de 50 mil migrantes desembarcaram em Itália desde o início deste ano, quase o dobro em comparação com os números de 2020, de acordo com os dados mais recentes do Ministério do Interior italiano.

Em meados de julho, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) avançou que o número de migrantes que morreram ou desapareceram ao tentar fazer a travessia do Mediterrâneo em direção às costas europeias tinha mais do que duplicado desde o início de 2021 face ao mesmo período do ano passado.

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