Exclusivo Iranianos ameaçam boicotar eleição com vencedor anunciado  

Desencanto com o regime teocrático e situação económica levam reformistas mas também extremistas como Ahmadinejad a apelarem para a abstenção nas presidenciais de hoje.

Em abril, Faezeh Rafsanjani, ativista pelos direitos das mulheres e irmã do antigo presidente Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, anunciou que iria boicotar as eleições presidenciais porque o movimento reformista tinha chegado a "um beco sem saída". Estava ainda longe de saber que o seu sobrinho Mohsen viria a ser barrado de concorrer pelo Conselho de Guardiães, a entidade próxima do guia supremo que aprova ou desaprova as candidaturas. Em declarações à France 24, o filho do presidente entre 1989 e 1997 não aceitou a decisão daquele órgão, mas fez um apelo para os iranianos irem "expressar as suas opiniões para que estas eleições predeterminadas não transformem a república islâmica num governo islâmico".

Mohsen Rafsanjani parece estar em minoria, a avaliar pelas sondagens, que apontam para uma taxa de abstenção recorde, bem como pela vox populi recolhida pelos meios de comunicação. "Eu quero liberdade, quero democracia. Os presidentes iranianos não têm autoridade nem desejo de mudar as nossas vidas... Por que razão deveria eu votar?", questiona a estudante de literatura francesa Shirin, 22 anos, de Teerão, à Reuters. Para Maryam, a abstenção é "uma forma de protesto", a única aliás que não terá consequências imediatas para o eleitor. "Se houvesse um candidato com que me identificasse eu iria votar", disse à AFP.

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