Embaixador de Itália morto em ataque na RD Congo. Presidente italiano denuncia "ataque cobarde"

Ataque a comitiva das Nações Unidas no leste da República Democrática do Congo.

O embaixador de Itália na República Democrática do Congo (RDC) morreu durante um ataque, no leste do país, confirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano. O Presidente italiano Sergio Mattarella denunciou entretanto o "ataque cobarde".

Luca Attanasio, 43 anos, morreu esta segunda-feira no hospital depois da comitiva das Nações Unidas em que seguia ter sido atacada perto de Goma, diz em comunicado o MNE italiano, citado pela BBC. Diplomata desde 2003, estava na República Democrática do Congo desde 2017 depois de passagens por Marrocos e Nigéria.

Um militar da polícia italiana e uma terceira pessoa também foram mortas neste ataque.

"Com grande tristeza, o ministro dos Negócios Estrangeiros confirma a morte, hoje, em Goma, fo embaixador italiano", diz o comunicado. Luigi di Maio expressou "grande consternação e imensa dor" pelas mortes. "Não serão poupados esforços para esclarecer o que aconteceu", acrescentou.

O ataque aconteceu às 10:15 locais (menos duas horas em Portugal continental) e acredita-se que terá sido uma tentativa de sequestro, segundo oficiais do Parque Nacional de Virunga, uma joia natural e turística criada em 1925, Património Mundial da UNESCO e em perigo de extinção.

A comitiva escoltada pelas Nações Unidas pertencia ao Programa Alimentar Mundial (World Food Programme), segundo o jornal italiano La Reppublica.

Desconhece-se a autoria do ataque. Vários grupos armados e milícias que operam operam nas imediações da cidade de Goma, a leste da República Democrática do Congo, onde as Nações Unidas lutam para manter a paz desde 1999. Esta é uma das maiores missões da ONU no mundo, com 17 mil pessoas no terreno.

Presidente italiano denunciou "ataque cobarde"

O Presidente italiano Sergio Mattarella denunciou esta segunda-feira o "ataque cobarde" que custou a vida ao seu embaixador na República Democrática do Congo, Luca Attanasio, ao soldado italiano Vittorio Iacovacci e ao seu motorista.

"A república italiana está de luto por estes servidores do Estado que perderam a vida no exercício das suas funções", acrescentou Mattarella, lamentando o "ato de violência" perpetrado contra um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM) no leste da República Democrática do Congo.

Luca Attanasio, que desempenhava as funções de embaixador na República Democrática do Congo desde início de 2018, foi "baleado no abdómen" e transportado "em estado crítico" para um hospital em Goma, segundo disse à agência AFP uma fonte diplomática.

O exército congolês disse, entretanto, que "as Forças Armadas Congolesas estão a tentar descobrir quem são os agressores".

Charles Michel "chocado"

A União Europeia já reagiu e está a seguir "de perto", ao nível de chefes de diplomacia, as "terríveis notícias" do ataque que resultou na morte do embaixador italiano.

Durante a conferência de imprensa diária do executivo comunitário, o porta-voz da Comissão, Eric Mamer, referiu que tinha acabado de tomar conhecimento das "terríveis notícias" e adiantou que o assunto está já a ser debatido pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que se encontram reunidos presencialmente em Bruxelas.

De acordo com uma porta-voz do Serviço Europeu de Ação Externa, o Alto-Representante da UE, Josep Borrell, deu conta do sucedido no Conselho de Negócios Estrangeiros que decorre neste momento em Bruxelas, e "apresenta as suas condolências à Itália, às Nações Unidas e às vítimas da violência no Congo".

Também o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, mostrou-se "chocado" com o ataque.

"Chocado pelo ataque a um comboio do PAM na República Democrática do Congo e pelas vidas perdidas, entre as quais a do embaixador de Itália e de um militar", reagiu Charles Michel, através da sua conta oficial na rede social Twitter.

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