Incêndio reativado no edifício do parlamento da África do Sul

Suspeito de 49 anos foi detido e acusado de "roubo e fogo posto" e será processado por ameaça de propriedade estatal.

O forte incêndio que deflagrou no domingo, destruindo grande parte do parlamento sul-africano, na Cidade do Cabo, e que os bombeiros tinham aparentemente controlado durante a noite após 24 horas de combate, voltou a ganhar intensidade esta tarde, pouco antes das 17.00 horas locais (15.00 horas em Lisboa), confirmaram as autoridades à AFP.

Uma nuvem espessa de fumo estava a sair dos telhados do edifício vitoriano imponente e as chamas voltaram a ser visíveis, de acordo com jornalistas da agência France-Presse (AFP) no local.

"O incêndio recomeçou no telhado do edifício da Assembleia Nacional", que foi completamente destruído pelas chamas no dia anterior, conformou à AFP o porta-voz dos bombeiros da cidade, Jermaine Carelse.

O incêndio estava sob controlo e apenas uma dúzia de bombeiros ainda se encontrava no local a fazer o rescaldo de algumas zonas. Aquele contingente foi entretanto reforçado e, tal como no dia anterior, o combate ao fogo está a ser feito também com a partir de cima, com o recurso a gruas.

Refira-se que o fogo deflagrou no início da manhã de domingo e reduziu o edifício da Assembleia Nacional a escombros.

Uma pessoa foi, entretanto, detida por suspeitas de ligação à origem do incêndio. Trata-se de um homem de 49 anos, que foi visto pelos serviços de segurança dentro do edifício do parlamento e apanhado com artigos roubados, informaram as forças de segurança numa declaração no domingo à noite.

O suspeito detido comparecerá perante um juiz esta terça-feira e enfrenta acusações de arrombamento, roubo e fogo posto num local de importância nacional.

Segundo a imprensa local, o suspeito terá tido acesso aos edifícios através de uma janela.

Sobre esta detenção, Mapisa-Nqakula explicou que o relatório da polícia sobre a detenção ainda não está disponível, mas sublinhou que o incêndio constituiu um "ataque" deliberado ao parlamento, e assume-se como uma "ameaça" à democracia da África do Sul.

O fogo ardeu nas partes mais antigas do edifício, que contém cerca de 4000 obras de arte e património (algumas datadas do século XVII) cujo telhado foi completamente destruído. A biblioteca do Parlamento, com a sua coleção única de livros, parece ter sido poupada.

O hemiciclo onde deliberavam os deputados à câmara baixa do parlamento foi destruído, assim como vários gabinetes, confirmaram hoje fontes oficiais sul-africanas.

"Podemos confirmar que uma das maiores perdas no incêndio é a queima completa da câmara da Assembleia Nacional", câmara baixa do parlamento, informou Amos Masondo, presidente do Conselho Nacional das Províncias (Senado Sul-Africano), numa conferência de imprensa.

A temperatura no interior em alguns locais do edifício era ainda de cerca de 100 graus centígrados ao início da tarde, segundo a ministra das Infraestruturas, Patricia de Lille, pelo que a extensão real dos danos está por avaliar.

O vasto edifício é constituído por três partes: um edifício que alberga a atual Assembleia Nacional, outro que alberga a Câmara Alta do Parlamento, chamado Conselho Nacional das Províncias, e a parte histórica mais antiga onde os parlamentares costumavam reunir-se.

As equipas de engenheiros e especialistas destacados para o local esperam ter um relatório preliminar sobre as circunstâncias do incêndio até à próxima sexta-feira, segundo Lille.

O incêndio começou por volta das 5:00 (3:00 em Lisboa) de domingo na ala mais antiga, concluída em 1884, com salas cobertas de madeira preciosa.

As autoridades sul-africanas acreditam que o incêndio começou no edifício mais antigo do complexo da Assembleia Nacional (a "Velha Assembleia"), concluído em 1884, e depois alastrou-se à ala mais recente, que alberga a atual câmara baixa e os seus gabinetes.

As equipas de emergência foram notificadas do incêndio por volta das 06:00 horas locais (04:00 TMG, hora de Lisboa) de domingo.

De acordo com os primeiros elementos da investigação, o incêndio começou em duas áreas distintas. O sistema automático de extinção de incêndios foi impedido de funcionar corretamente por um abastecimento de água fechado. Um relatório deverá ser apresentado dentro de 24 horas ao Presidente do país, Cyril Ramaphosa, que visitou o local no domingo.

Estão em curso investigações sobre por que razão os sensores de incêndio foram lentos a responder, segundo Patricia de Lille, em declarações no domingo.

Os aspersores anti-incêndio também não funcionaram porque, alegadamente, a válvula de água que alimentava o sistema estava fechada.

De Lille confirmou hoje que as câmaras de segurança estavam a funcionar nas primeiras horas do incidente e que a polícia está a monitorizá-las.

Este é o segundo incêndio neste edifício em menos de um ano. Em março de 2021, um outro incêndio deu origem a um relatório que concluiu com a necessidade de melhorar as medidas de segurança do edifício, consideradas inadequadas.

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