Contactos políticos intensificam-se para desbloquear negociações

As regras para os mercados internacionais de carbono, as datas de referência usadas para as reduções de emissões e o financiamento aos países desenvolvidos para medidas de adaptação e mitigação são os principais pontos de discórdia.

O presidente da 26.ª conferência do clima das Nações Unidas (COP26), a decorrer em Glasgow, Alok Sharma, afirmou esta segunda-feira que vai intensificar os contactos políticos para desbloquear algumas negociações técnicas para conseguir um "encerramento ordenado" dos trabalhos na sexta-feira.

Aproveitando a chegada de membros de Governos responsáveis por esta área, incluindo do ministro do Ambiente português, João Matos Fernandes, esta tarde, o britânico propôs continuar negociações técnicas até quarta-feira, em paralelo com consultas políticas.

"Para permitir um encerramento ordenado na sexta-feira, temos de acelerar e complementar as negociações técnicas com maior envolvimento político de alto nível", disse Sharma, numa reunião esta manhã para fazer um ponto de situação dos trabalhos.

Os responsáveis dos dois órgãos subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) apresentaram balanços da primeira semana da COP26, indicando que algumas questões ficaram em aberto.

As regras para os mercados internacionais de carbono, as datas de referência usadas para as reduções de emissões e o financiamento aos países desenvolvidos para medidas de adaptação e mitigação são os principais pontos de discórdia.

O presidente da conferência disse que vai facilitar as negociações à noite e espera que os primeiros textos possam estar terminados ainda esta segunda-feira e continuar a fazer avanços até terça-feira para depois fazer um ponto de situação.

"O objetivo é chegar a conclusões por consenso na sexta-feira", afirmou.

Terminar dentro do calendário da COP seria quase inédito, já que as últimas Conferências têm terminado vários dias depois da data esperada com negociações até de madrugada.

O representante da Guiné e do G77 + China, grupo atualmente composto por 134 países em desenvolvimento, embaixador Boubacar Diallo, interveio para dizer que foram encontrados "muitos desafios" nas negociações, deixando um aviso.

"Uma COP sem um resultado concreto no financiamento [do clima] nunca será um sucesso" porque "não se pode esperar que os países em desenvolvimento possam melhorar as suas metas ou tomar ações climáticas sem financiamento adequado", vincou.

Decisores políticos e milhares de especialistas e ativistas reúnem-se até sexta-feira na COP26 para atualizar os contributos dos países para a redução das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e aumentar o financiamento para ajudar países afetados a enfrentar a crise climática.

A COP26 decorre seis anos após o Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global do planeta entre 1,5 e 2 graus celsius acima dos valores da época pré-industrial.

Apesar dos compromissos assumidos, as concentrações de gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2020, mesmo com a desaceleração económica provocada pela pandemia de covid-19, segundo a ONU, que estima que ao atual ritmo de emissões, as temperaturas serão no final do século superiores em 2,7 ºC.

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