Após sete horas a falar da Ucrânia, EUA e Rússia querem mais diálogo

Washington diz que não recebeu garantias de um recuo das tropas russas da fronteira, mas Moscovo reitera que não tem intenção de invadir.

As mais de sete horas de diálogo entre a subsecretária de Estado norte-americana, Wendy Sherman, e o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, em Genebra, não bastaram para uma desescalada da tensão na Ucrânia. Os EUA terão feito propostas para ações recíprocas em relação à presença de mísseis e exercícios militares na região, alertando sempre que Moscovo pagará um preço elevado se invadir o território ucraniano - depois de não ter recebido garantias em relação a um recuo das tropas. Já a Rússia reiterou que não tem qualquer intenção de invadir a Ucrânia, admitiu que Washington levou a sério as suas propostas, mas defendeu a "continuação do diálogo", referindo as diferenças entre ambos.

"Fomos firmes na rejeição de propostas de segurança que são simplesmente não negociáveis para os EUA. Não vamos permitir a ninguém que feche a política de portas-abertas da NATO", disse Sherman. Uma das exigências de Moscovo é que a Aliança Atlântica volte atrás na abertura a uma eventual adesão de Kiev. "Infelizmente temos grande disparidade na nossa abordagem de princípios. Os EUA e a Rússia, de certa forma, têm visões opostas sobre o que é preciso ser feito", indicou Ryabkov.

A subsecretária de Estado norte-americana disse aos jornalistas que indicou "uma série de ideias" onde os dois países "podem empreender ações recíprocas que seriam no interesse da segurança e melhorariam a estabilidade estratégica". Sem dar mais pormenores, referiu que os EUA fizeram propostas em relação à colocação de mísseis e que estão "abertos a discutir no futuro de certos sistemas de mísseis na Europa" nas linhas do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, que o ex-presidente Donald Trump abandonou. "Estamos abertos a discutir formas em que podemos estabelecer limites recíprocos ao tamanho e alcance de exercícios militares e melhorar a transparência sobre esses exercícios", acrescentou, admitindo que as discussões levarão tempo.

Depois do diálogo entre Sherman e Ryabkov em Genebra, está previsto um encontro do Conselho NATO-Rússia em Bruxelas, na quarta-feira, e o conselho permanente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa vai reunir-se em Viena, na quinta-feira, devendo o tema da Ucrânia dominar a agenda.

Sherman disse que reiterou o apelo para que a Rússia retire os cerca de cem mil soldados que terá junto à fronteira ucraniana. Se a Rússia invadir, referiu, "haverá custos significativos e consequências, muito além dos que eles enfrentaram em 2014", quando Moscovo anexou a Crimeia e apoiou os grupos separatistas no leste da Ucrânia. Ryabkov considerou as ameaças dos EUA como "tentativas de chantagem e intimidação", dizendo contudo não acreditar que a situação seja "desesperante".

Com agências

susana.f.salvador@dn.pt

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