A vitamina A pode ajudar a recuperar o olfato após covid-19? Ensaio leva doentes a cheirar rosas e ovos podres

Investigadores britânicos querem saber se a vitamina A ajuda a recuperar o olfato após infeções virais, incluindo a que causa a covid-19. O recrutamento para o ensaio, denominado Apollo, começa em dezembro.

Rosas e ovos podres. Estes vão ser alguns dos odores fortes que os participantes de um estudo vão cheirar, no âmbito de um projeto que pretende avaliar se a vitamina A ajuda a recuperar o olfato após infeções virais, incluindo a que causa a covid-19

O ensaio, denominado Apollo, vai ser levado a cabo pela Universidade East Anglia (UEA) em Norwich, Inglaterra, juntamente com o James Paget University Hospital. Vai ter uma duração de 12 semanas, período durante o qual os participantes, que perderam o olfato devido a uma infeção viral, vão receber um tratamento de gotas nasais de vitamina A.

Vão ser monitorizados antes e depois do tratamento e os resultados vão ser comparados com os participantes que não receberam gotas nasais de vitamina A. Nem todos vão receber a vitamina A, mas todos os pacientes vão cheirar odores fortes durante o ensaio.

"Queremos descobrir se há um aumento no tamanho e na atividade das vias olfativas danificadas no cérebro dos pacientes quando eles são tratados com gotas nasais de vitamina A", explicou o professor Carl Philpott, da Norwich Medical School da UEA e da James Paget University Hospitals NHS Trust, citado pela BBC.

"Vamos procurar mudanças no tamanho do bulbo olfatório - uma área acima do nariz onde os nervos do olfato se unem e se ligam ao cérebro", referiu o especialista, indicando que ao longo do estudo vão ser examinadas áreas do cérebro associadas ao reconhecimento de cheiros.

Estudos que foram realizados na Alemanha dão conta do potencial benefício da vitamina A e, agora, a equipa da UEA vai explorar como este "tratamento funciona para ajudar a reparar os tecidos do nariz danificados por vírus", refere, em comunicado, a universidade de Norwich. Prevê-se que o recrutamento de voluntários para este ensaio começa em dezembro deste ano.

Além do tratamento com gotas nasais de vitamina A, vai ser pedido aos participantes que cheirem odores fortes, como ovos podres e rosas. "Vamos medir o tamanho dos bulbos olfatórios e também a atividade cerebral em resposta a cheiros variados", referiu Philpott, o investigador principal do estudo, ao site News Medical Life Sciences

Conforme refere a universidade de Norwich, a perda de olfato é um dos sintomas da infeção por SARS-CoV-2, mas "mesmo antes da covid-19, muitos vírus causavam perda de cheiro e distúrbio e, embora a maioria das pessoas recupere naturalmente o sentido do olfato em algumas semanas", muitos ficam com perturbações contínuas no olfato.

Com o projeto Apollo, os investigadores esperam "melhorar a vida de milhões de pessoas em todo o mundo que sofrem com a perda do olfato".

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