A cinco dias da saída de Trump, EUA impõem sanções contra o Irão e ministro cubano

Medidas irão complicar o futuro das relações externas da futura administração Biden.

A Administração de Donald Trump anunciou esta sexta-feira, cinco dias antes do final de mandato, uma nova vaga de sanções contra o Irão e contra o ministro do Interior cubano, reforçando a pressão que complica o futuro das relações externas do futuro presidente, Joe Biden.

Relativamente ao Irão o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, visou como alvo principal o setor de transporte marítimo, já no centro de severas medidas desde junho, desta vez contra a Islamic Republic of Iran Shipping Lines (IRISL), acusada de transportar produtos ligados ao programa de mísseis balísticos de Teerão.

"Advertimos a indústria que aqueles que fazem negócios com a IRISL, as suas subsidiárias ou outras entidades de transporte marítimo iriam enfrentar sanções. Hoje, sancionamos sete entidades e dois indivíduos por isso", apontou, em comunicado de imprensa.

O Departamento de Estado incluiu na lista negra empresas sediadas no Irão, China e Emirados Árabes Unidos para o transporte de materiais através da IRISL.

Pompeo revelou também uma série de medidas punitivas contra entidades iranianas acusadas de contribuir para a "proliferação" de armas convencionais no Médio Oriente: Organização das Indústrias Marítimas, Organização das Indústrias Aeroespaciais e a Organização das Indústrias de Aviação do Irão.

Esta é uma medida simbólica porque essas entidades já foram sancionadas pelos Estados Unidos pela sua suposta participação no programa de armas de destruição maciça de Teerão.

Com estas sanções, Pompeo, líder da campanha de "pressão máxima" contra o Irão, levanta obstáculos no caminho do futuro Presidente, Joe Biden. O democrata disse que queria voltar ao acordo internacional de 2015 sobre a energia nuclear iraniana, do qual Donald Trump retirou os EUA.

Para isso, terá de suspender as sanções norte-americanas impostas pela Administração Trump, com a condição de que as autoridades iranianas também voltem ao cerne do acordo, depois de ignorarem progressivamente as suas restrições em resposta às medidas de Washington.

Sanções a ministro do Interior cubano

No mesmo dia, a administração americana impôs sanções ao ministro do Interior cubano, Lazaro Alberto Alvarez Casas, acusando-o de "graves violações aos direitos humanos".

"O regime cubano viola há muito tempo os direitos humanos. Os Estados Unidos vão continuar a utilizar todos os meios à sua disposição face à terrível situação dos direitos humanos em Cuba e por todo o mundo", declarou o secretário de Estado do Tesouro, Steve Mnuchin, num comunicado.

Para Mnuchin, o Ministério do Interior cubano, igualmente visado com sanções financeiras, é responsável pela vigilância das atividades políticas, apoiado em unidades da polícia, que têm detido pessoas que estão na mira do departamento governamental.

O Tesouro norte-americano destacou Lazaro Alberto Alvarez Casas foi vice-ministro do Interior, tendo sido promovido a ministro em novembro de 2020.

Mnuchin evoca nomeadamente a detenção, em setembro de 2019, do dissidente cubano Jose Daniel Ferrer numa prisão gerida pelo Ministério do Interior, "onde foi espancado, torturado e colocado em isolamento".

Por outro lado, segundo o Departamento do Tesouro norte-americano, nem o ministro nem o Ministério poderão ter acesso ao sistema financeiros os Estados Unidos e os seus eventuais bens no país serão congelados.

A administração Trump, que trabalhou durante quatro anos para reverter a histórica reaproximação entre os Estados Unidos e a ilha comunista iniciada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, colocou novamente Cuba na "lista negra" dos "Estados que apoiam o terrorismo".

Biden, o candidato democrata vencedor das presidenciais norte-americanas de 03 de novembro de 2020, ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de retomar o diálogo com as autoridades de Havana. As medidas, porém, correm o risco de complicar a tarefa de Biden se o futuro Presidente dos Estados Unidos optar por regressar a uma política de aproximação a Havana.

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