Constituição de Weimar

Viriato Soromenho Marques

Pode alguém ser quem não é?

Não é possível fingir ser-se quem não se é durante muito tempo, face a uma realidade extrema. Isto vale tanto para os indivíduos como para as instituições. A pandemia é uma forma aguda de realidade extrema. Oscilante, intensamente desconhecida (apesar dos avanços científicos), criativa nas suas metamorfoses, "visando" incrementar o seu sucesso na contaminação planetária, e dotada de uma durabilidade indeterminada, mas claramente superior à resiliência psicológica média do habitante urbano do século XXI. O impacto da pandemia sobre os indivíduos, não falando das vítimas mortais, terá custos ainda difíceis de estimar. Todavia, com mais ou menos danos e sequelas, a força vital que existe em cada um de nós impele-nos para nos reerguermos e seguirmos os nossos caminhos. Já o impacto da pandemia sobre o comportamento do Estado como um todo, ou declinado a partir de cada um dos seus poderes, poderá ter consequências exponencialmente mais graves. Quando um indivíduo perde o controlo sobre os seus atos, acidentes podem acontecer. Quando um governo calibra a sua política em função da fantasia e não da monitorização atenta do mundo real, os resultados trágicos ocorrem.