Biden

Leonídio Paulo Ferreira

O aliado Portugal e a América de Biden

Calvin Coolidge, presidente dos Estados Unidos na década de 1920, recebeu António Ferro na Casa Branca e pediu-lhe que enviasse ao povo português una mensagem de amizade e confiança através do Diário de Notícias. O inesperado resultado do encontro na "White House", como escreveu então o jornalista (mais tarde contratado por Salazar para a propaganda do Estado Novo), aconteceu em 1927, o ano a seguir ao golpe do 28 de Maio, e confirmou que a mudança de regime não afetava as relações entre os dois países, velhos aliados. Quatro dias depois do 25 de Abril, também o reconhecimento da Junta de Salvação Nacional pelos americanos mostrava que a aliança, na altura já formalizada na NATO, era para manter. E sabe-se hoje como a diplomacia americana se esforçou em 1974 e 1975 para que a revolução não criasse um Portugal comunista.

Adriano Moreira

O outono da ordem global

O fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) criou a esperança de conseguir, com a criação da ONU e da UNESCO, apoiar a utopia que prometia uma ordem jurídica global e em paz. A relação entre o passado guardado pela história e a definição do esperado futuro implicou não esquecer os milhões de mortos nos combates e demais atrocidades presentes na experiência dos que assumiram reinventar a governança, destacando-se em resposta uma espécie de santos laicos, já na última idade, como foram Gandhi e Mandela, pilares da liberdade, e no Ocidente, no qual se professava o fim da supremacia colonial, também vendo assumir a governança por homens que, apesar da vida de longos anos, tinham a inspiração de que se ocupara Vieira, já passados séculos.