Casa Branca

Bernardo Pires de Lima

Ilusão e realismo

A administração Biden tem sido arrumada sem sobressaltos, casos ou atropelos, recorrendo à experiência e à determinação de muitos que serviram presidentes democratas no passado recente. Só esta normalidade já é um feito político, no meio do caos administrativo deixado por Trump e do cerco democrático exposto pela invasão ao Capitólio. Tal como um presidente divisionista arrasta propositadamente multidões para a irreversibilidade da trincheira, também um presidente de perfil oposto tem mais capacidade para pacificar a sociedade, negociar legislação bipartidária, ser um promotor mais construtivo de soluções na frente externa. Se liderar pelo exemplo não é premissa oca, também a liturgia política precisa de dignidade restaurada.

Onésimo Teotónio Almeida

Eleições americanas: uma declaração pessoal de princípios éticos

Os Estados Unidos estão a viver um momento particularmente tenso e difícil da sua história. Dentro de dias teremos uma das mais determinantes eleições em dois séculos e meio de existência como nação independente. Nesta altura da campanha eleitoral, já praticamente todas as pessoas tomaram a sua decisão e cada qual votará segundo a sua consciência (aliás, muitos de nós até já votaram). Por isso, com esta minha crónica não espero convencer ninguém a alterar o seu ponto de vista. E, todavia, sinto-me impelido a vir fazer publicamente algo que nunca antes ousei na minha vida: uma declaração de voto.