Banco de Portugal

Rosália Amorim

Há vida para além da covid-19

O impacto da pandemia nas nossas vidas e na nossa economia está muito longe de estar devidamente calculado. Contudo, por vezes a realidade tem a capacidade de nos surpreender pela positiva. Apesar das duras consequências provocadas pela covid-19 nas trocas comerciais, Portugal conseguiu segurar o excedente externo que tem mantido desde 2012, em plena era de intervenção da troika. Os dados inesperados foram apurados na balança de pagamentos, divulgados ontem pelo Banco de Portugal. Em 2020, o saldo conjunto da balança corrente e de capital ficou em 256 milhões de euros, o que compara com o excedente de 2591 milhões de euros registado em 2019, diz o banco central. Não é de estranhar que o superávite conseguido - apesar de ser uma boa notícia - seja o mais baixo desde 2012, quando Portugal passou a ter um excedente na balança corrente e de capital. O atual excedente não é devido nem ao crescimento das exportações, no geral, nem ao desenvolvimento do turismo, em particular. A explicar este indicador estão os fundos europeus e a participação de Portugal no orçamento comunitário. Para perceber este novo "milagre" português vale a pena ler este artigo.

Entrevista a Elisa Ferreira

"Fraude nos fundos? A tolerância da Comissão Europeia é zero"

Otimista em relação aos efeitos da bazuca, diz que "já há aí bazuquinhas" a puxar pela economia. Antecipa o grande desafio para a presidência da UE e deixa recados à banca, TAP e Montijo. Quando olha para fora, vê "mais diálogo" com Biden, uma lição aprendida em relação à China e um Brexit que é "um absurdo", diz Elisa Ferreira, comissária da Coesão e Reformas.