Washington

Bernardo Pires de Lima

Minilateralismos certeiros

Talvez por ser um tema fundamental, passou ao lado da nossa imprensa. E é pena, porque o assunto interessa-lhe diretamente. Nos últimos dias, deram-se significativos avanços internacionais no cerco às grandes empresas tecnológicas, sobretudo no domínio fiscal, no qual operam continuamente à margem, numa zona de privilégios acumulados sem ponta de vergonha, privando os Estados e as sociedades onde deveriam ser tributadas de recursos financeiros e de um exercício de justiça fiscal indispensável à saúde do capitalismo e das democracias. Alguns desses Estados ajudam à festa como autênticos paraísos fiscais, deturpando dessa forma o equilíbrio indispensável em regiões económicas integradas com regras progressivamente uniformizadas.

Bernardo Pires de Lima

O debate vital

É bom que comecemos a alinhar expectativas. O desanuviamento diplomático proposto por Joe Biden é bem acolhido na Europa, mas ninguém está disponível para agir como se os últimos quatro anos não tivessem existido. Alemanha à cabeça. A recente sondagem do ECFR, feita a 15 mil europeus em 11 Estados, Portugal inclusive, coloca os alemães com a sensibilidade à flor da pele: a desconfiança com os EUA aumentou, será inevitável a predominância da China, o sistema político americano partiu-se, cresceu a vontade em autonomizar estratégias. Ou, como é mais comum dizer-se no léxico da comunidade alemã que faz e conduz a política externa, reforçou-se a ideia da "soberania europeia".

Victor Ângelo

Biden no trapézio e o mundo na corda bamba

Muito do que se decide no círculo do poder em Washington tem um impacto global, quer se queira quer não. Peço desculpa por começar este texto com esta lapalissada. Mas é um facto que a política americana continua a pesar mais do que nenhuma outra nas relações estratégicas e económicas internacionais. Assim, com a entrada em funções da administração Biden, a cena internacional começou um novo capítulo. É uma mudança profunda de rota, num sentido positivo e democrático. Para já, anuncia a esperança de um apaziguamento das tensões criadas ao longo dos últimos quatro anos e que colocaram as dinâmicas entre os principais atores mundiais num patamar potencialmente explosivo. O diálogo deverá substituir a política da confrontação e do abuso da força.