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Anselmo Borges

A intuição cosmoteândrica: a religião do futuro

1. Foi há dez anos que Raimon Panikkar nos deixou, no dia 26 de Agosto de 2010, com 91 anos, em Tavertet, perto de Barcelona. Foi um dos espíritos mais clarividentes do século XX, com um pensamento original, que a presente situação pandémica e a urgência de um novo paradigma de desenvolvimento e uma nova política no contexto de uma terrível crise global, económica e social, que inclui a necessidade de um pacto ecológico para preservar a casa comum, tornam ainda mais actual. É por isso que não podia deixar de voltar a ele, "um mestre do nosso tempo".

Luís Filipe Castro Mendes

Eça de Queirós não escrevia bem

Dizia-se de um falecido cronista, não destituído de graça e de talento, que "escrevia bem". Vasco Pulido Valente, é de quem falo, deixou por certo textos memoráveis, cheios de humor e inteligência. Mas a sua escrita é assinalada com a marca do bom escrever apenas e tão-só pela sua constante absorção do estilo e dos tiques literários de Eça de Queirós, modo de ver e de escrever que se tornou historicamente paradigma e matriz de grande parte dos discursos dos portugueses sobre Portugal.