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Bernardo Pires de Lima

"Não há soberania no isolamento"

Mergulhados no pessimismo, desvalorizamos algumas dinâmicas aceleradas pela pandemia. Uma das mais importantes está no aprofundamento da integração económica e política regional, capaz de funcionar como contraponto às desgarradas aventuras do soberanismo revivalista. Além disto, a pandemia tem consolidado, até ver, importantes dinâmicas que a precederam. Uma delas é a transformação das economias pela via da transição energética mais consentânea com as metas ambientais. Apesar da inflexão dos EUA de Trump, entretanto corrigida por Biden, ninguém com peso nesta discussão abandonou a prioridade climática. Pelo contrário, a pandemia veio expor a urgência da colocação do bem-estar no centro das decisões políticas e da credibilidade das negociações multilaterais. De certa forma, ganhámos espaço para calibrar uma proposta social alargada em detrimento da sofreguidão clássica pelos resultados económicos. É também este ajustamento que está na base dos planos expansionistas de recuperação nos EUA e na União Europeia, isto se alocados no tempo e no modo de forma certeira ao longo desta década. Os empedernidos espíritos soberanistas têm que lidar com isto: foram os passos conjuntos da integração regional que criaram as condições para responder a estes dilemas estruturais.

Leonídio Paulo Ferreira

Será que Biden conhece o abade Correia da Serra?

Desde os Açores alojarem o mais antigo consulado americano em funcionamento até Portugal nunca ter estado em guerra com os Estados Unidos (ao contrário do Reino Unido, da Espanha, da Alemanha e até da França com a quase-guerre de 1798-1800), passando pelo brinde com vinho Madeira feito pelos signatários da Declaração de Independência de 1776, não faltam laços entre os dois países. E daí a expectativa com a presidência de Joe Biden, que se inicia sob o signo do regresso do multilateralismo, o que do ponto de vista português significa mais proximidade entre os dois lados do Atlântico, e logo num momento em que Portugal preside a UE, e também maior coesão na NATO, aliança em que os dois países estão desde a fundação.