Premium Do primata guloso por fermentações ao torpor dos vinhos do Neolítico, viagem ao berço dos néctares de Baco

A bebida a que chamamos vinho não a inventámos, descobrimo-la nos processos fermentativos naturais e demos-lhe cultura e civilização. Antes, porém, trabalhámos a uva por milénios, aprimorando a sua cultura ainda no Neolítico. No território da atual Geórgia, cerâmicas milenares contam-nos com eloquência os primórdios da vinha e do vinho. Um afã na produção da bebida mágica que turvava o espírito e que se tornou sinónimo de lubrificante social.

A 4 de dezembro de 2013, uma vaga de júbilo percorreu a Geórgia, país do Cáucaso, quando a UNESCO juntou oficialmente à lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade o método ancestral de produção de vinho em enormes potes de argila, os qvevris (ou kvevris).

Para os georgianos, o que se celebrou no outono de há quase sete anos, nas margens dos mares Negro e Cáspio, na vasta cordilheira do Cáucaso e nas estepes centrais, é uma tradição que se liga à própria afirmação milenar do território. Os grandes potes em forma de limão, enterrados no solo até ao gargalo (qvevri, traduzido, significa "aquilo que está enterrado"), cuidam de fermentar, envelhecer e acarinhar a matéria-prima que ocupa a atenção do ser humano há perto de 9000 anos naquela região. Um berço provável para a bebida que obceca a humanidade há inumeráveis gerações e que tem na sua origem carga suficiente de segredo, mistério e narrativa épica.

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