Premium Que Serviço Nacional de Saúde queremos ter daqui a dez anos?

O SNS completou, em 2019, 40 anos. A sua criação foi um avanço civilizacional que colocou e mantém Portugal entre os melhores a nível internacional no que respeita ao acesso aos cuidados de saúde. Dar-lhe futuro afigura-se, pois, urgente. Para isso, dizem os especialistas, mais do que anunciar 800 milhões de euros e a contratação de 8400 profissionais, é preciso responder à pergunta do título. E passar à ação.

Portugal tem das taxas de mortalidade infantil e neonatal mais baixas do mundo. As taxas de imunização são altas comparadas com a média da União Europeia (UE) e, apesar de as vacinas não serem obrigatórias, o Programa Nacional de Vacinação garante uma cobertura vacinal na infância que ultrapassa as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A esperança de vida tem vindo a aumentar, estando atualmente nos 81,5 anos, embora os anos a mais nem sempre sejam vividos com saúde. A mortalidade devida tanto a causas evitáveis como tratáveis desceu, situando-se abaixo da média da União Europeia, mas os fatores de risco comportamentais - alimentação, tabagismo, consumo de álcool - continuam a ter um impacto significativo, acima da média da UE.

Melhorámos no diagnóstico e no tratamento do cancro, registando taxas de sobrevivência acima da média europeia e temos uma das mais baixas taxas de hospitalização desnecessária dos países da OCDE, o que demonstra eficácia nos cuidados de saúde primários, apesar de cerca de 600 mil cidadãos não terem médico de família. Isto num país que está em terceiro lugar, entre os 45 da OCDE analisados no relatório Health at a Glance 2019, no que respeita a médicos per capita - cinco por cada mil habitantes (valor que pode estar sobrestimado, ressalva o documento). Para isso contribuirá o facto de sermos o único país em que os rendimentos dos médicos e enfermeiros desceram nos últimos sete anos, segundo a OCDE. A saída de profissionais do setor público para o privado (ou para o estrangeiro) não é novidade e recuperá-los é um dos maiores desafios que o Serviço Nacional de Saúde tem pela frente. Não é o único.

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