Há 50 estados nos EUA, mas estes sete são os campos de batalha

Os números parecem mais favoráveis a Biden, com Trump em risco de perder em alguns estados-chave que nenhum republicano que chegou à Casa Branca perdeu. Mas há quatro anos as sondagens também eram favoráveis a Hillary Clinton.

O democrata Joe Biden está à frente nas sondagens a nível nacional para as presidenciais de 3 de novembro nos EUA, mas isso não garante a vitória sobre Donald Trump. O atual residente da Casa Branca venceu Hillary Clinton há quatro anos, mesmo tendo perdido o voto popular. A culpa é do colégio eleitoral.

Para chegar à presidência, um candidato tem de conquistar mais de 270 votos no colégio eleitoral. Há 538 em jogo, e que cada estado vale no mínimo três votos. A Califórnia é a cereja no topo do bolo, valendo 55.

Salvo o Maine (4 votos) e o Nebrasca (5), nos outros estados o vencedor do voto popular no estado conquista todos os votos do colégio eleitoral, independentemente de ganhar com 1% ou 10% de diferença. Nas duas exceções, o vencedor ganha dois dos votos, sendo os restantes distribuídos consoante a vitória em cada distrito congressional.

Há estados que tendem claramente para um ou outro partido - pelo menos desde 1972 que o Distrito de Colúmbia vota democrata, enquanto o Kansas, o Dakota do Norte e o do Sul, o Oklahoma e o Utah sempre votaram republicano. E depois há os chamados swing-states, que balançam entre um e outro.

Dentro destes, está por exemplo a Florida, que vale 29 votos no colégio eleitoral e pode ser a diferença entre ganhar ou perder a nível nacional. Mas até em estados que há anos são de uma cor (vermelho para os republicanos e azul para os democratas) podem estar em causa em 2020. Estes são os principais campos de batalha de 2020.

Texas: 38 votos

No segundo maior estado em termos de colégio eleitoral depois da Califórnia, há sondagens que mostram uma vitória de Biden. E o número recorde de votos antecipados (assim como o de novos eleitores) está a deixar os democratas com esperança de poder derrotar Trump, que há quatro anos venceu com mais nove pontos percentuais do que Hillary Clinton.

O Texas não é um estado que costuma balançar, pelo que percebendo que há uma porta aberta, a campanha de Biden enviará a candidata a vice-presidente, Kamala Harris, para uma visita na sexta-feira. Os republicanos mostram-se contudo confiantes na vitória de Trump, apesar da perda de influência do presidente nos subúrbios.

Entre os eleitores latinos, que tradicionalmente votam nos democratas, as sondagens mostram contudo que Biden não está a fazer os ganhos que deveria - está com números inferiores aos de Hillary Clinton há quatro anos.

O Texas não autorizou o voto por correio para todos os eleitores, tendo optado por alargar o período de voto antecipado. Mas mais de sete milhões de eleitores já votaram, estimando-se que a maioria destes tenham votado em Biden.

Florida: 29 votos

Em 2016, Trump ganhou a Florida por 1,2 pontos percentuais (menos de 120 mil votos). No estado onde vota (apesar de ser de Nova Iorque, é lá que está inscrito), o presidente surge atrás de Biden em quase todas as sondagens, mas a diferença é de um ou dois pontos percentuais, dentro das margens de erro. O estado está por isso ao alcance de qualquer um dos candidatos.

A maioria dos especialistas defende que, se Trump perder a Florida, então perderá a Casa Branca - e ele está ciente disso, tendo feito dois comícios neste estado na última sexta-feira depois de votar. Biden está a tentar travá-lo, tendo até recorrido ao ex-presidente Barack Obama, que já fez um comício a seu favor na região.

Até sábado, 2,3 milhões de votos já tinham sido depositados por eleitores democratas no estado, contra 1,9 milhões de republicanos. No total, 4,8 milhões de pessoas já votaram, mas 75% dos eleitores podem só fazê-lo no dia 3 de novembro.

A população latina será chave neste estado, mas as sondagens mostram que estão menos alinhados com os democratas do que em 2016 (quando Hillary perdeu). Isso é mau para Biden, que pode contudo beneficiar do facto de os eleitores mais velhos (e o estado é um dos melhores para os reformados nos EUA) estarem a afastar-se de Trump, por causa da forma como lidou com a pandemia de covid-19.

As eleições na Florida ganharam fama em 2000, quando a disputa entre George W. Bush e Al Gore acabou no Supremo Tribunal dos EUA. Este ordenou o fim da recontagem de votos e deu a vitória a Bush por 537 votos, com o democrata a conceder a derrota. Ao entregar os 29 votos do colégio eleitoral, garantiu a vitória do republicano a nível nacional.

Pensilvânia: 20 votos

Trump ganhou há quatro anos com menos de 1% de diferença (44 mil votos), pondo fim a seis vitórias democratas consecutivas, mas a Pensilvânia é a terra natal de Biden e ele está a apostar tudo para conquistar os seus 20 votos do colégio eleitoral, tendo passado o último sábado por lá - o 16.º dia que lá foi durante esta campanha.

O democrata tem de ganhar com uma margem grande nas principais cidades de Filadélfia e Pittsburgh (e respetivos subúrbios), esperando que Trump perca votos também nas zonas rurais, tipicamente mais conservadoras, e nas cidades industriais mais pequenas. Obama também já esteve num comício no estado.

Sabendo o que está em jogo na Pensilvânia, Trump esteve nesta segunda-feira no estado para três comícios (levando também a primeira-dama, Melania, para atrair o eleitorado feminino), chamando a atenção para o facto de Biden ter dito, no último debate, que queria fazer a transição para lá da indústria petrolífera - a Pensilvânia é o segundo produtor de gás natural, atrás do Texas.

Apesar de as sondagens colocarem Biden à frente por mais de cinco pontos percentuais, a verdade é que elas falharam em 2016. Hillary Clinton também parecia no caminho da vitória (a meio de outubro tinha 8,7 pontos de vantagem e na última sondagem tinha 1,9 pontos), mas no momento crucial foi Trump quem ganhou.

Ohio: 18 votos

Nenhum republicano chegou à Casa Branca sem ter ganho no Ohio. Há quatro anos, Trump ganhou a Hillary Clinton por 8,1 pontos percentuais e havia até quem defendesse que nunca mais seria um swing-state. Mas agora as sondagens dizem que pode ir para qualquer dos candidatos, apesar de Trump ter vindo a ganhar vantagem nos últimos dias.

Segundo os especialistas, se Trump perder o apoio suficiente para vencer no Ohio, então é quase certo que também perca estados como Wisconsin, Michigan e até a Pensilvânia, com consequências desastrosas.

A pandemia (o Ohio já passou os 200 mil casos de covid-19) e a crise económica podem custar votos a Trump, com indicações de que a classe trabalhadora que há quatro anos votou em força no republicano está a abandonar o presidente.

Carolina do Norte: 15 votos

Trump ganhou em 2016 por três pontos de diferença, mas o facto de Trump já ter visitado o estado sete vezes desde finais de julho - incluindo durante a convenção, que decorreu principalmente online - mostra como é importante para ser reeleito. E Biden, que já visitou o estado três vezes desde fevereiro, está ligeiramente à frente nas sondagens.

Nas presidenciais, os eleitores da Carolina do Norte tendem a votar nos republicanos, mas o governador só não foi democrata em quatro dos últimos 27 anos. O atual, Roy Cooper, é democrata e popular por causa da resposta à pandemia de covid-19. Sondagens mostram que 53% dos eleitores do estado não estão de acordo com a forma como Trump respondeu ao novo coronavírus, mas 53% aprovam a forma como lidou com a economia.

Arizona: 11 votos

Trump ganhou no Arizona, um estado tipicamente conservador (só Bill Clinton ganhou em 1996), por 3,5 pontos percentuais. Mais ou menos a mesma vantagem que as sondagens dão agora a favor de Biden.

Para tal contribuiu o aumento do voto latino, normalmente democrata, assim como a perda republicana dos eleirores dos subúrbios, que estão a virar as costas a Trump. Muitos eleitores também não gostaram da forma como o atual presidente atacou o falecido senador John McCain, com a sua viúva, Cindy, a apoiar Biden.

Os eleitores mais velhos (o estado é também casa de muitos reformados), descontentes com a forma como o presidente lidou com a covid-19, podem ajudar a pender o estado para o lado de Biden.

Iowa: seis votos

Trump venceu confortavelmente há quatro anos, com quase mais dez pontos percentuais do que Hillary Clinton, depois de Barack Obama ter ganho em 2008 e 2012. Mas, desta vez, as sondagens colocam-no lado a lado com Biden e já obrigaram o presidente a fazer um comício no estado.

Trump visitou o Iowa a 14 de outubro, um dia depois de ter voltado à estrada após ter testado positivo para a covid-19. Mesmo com a pandemia com números preocupantes neste estado: a task-force criada pela Casa Branca disse que o vírus infetou e matou o dobro das pessoas per capita no Iowa do que a média nacional durante essa semana. O número de hospitalizações é também elevado: 561 pacientes internados nesta segunda-feira, dos quais 129 nos cuidados intensivos.

O voto antecipado começou a 5 de outubro e quase 700 mil eleitores (51% dos quais registados como democratas e 31% como republicanos) já votaram. No total, há cerca de dois milhões de eleitores neste estado, pelo que se estima que uma fraca ida às urnas no dia 3 de novembro será sinal de que os republicanos decidiram ficar em casa e beneficiará Biden.

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