Modi à procura de reforçar o poder com vitória em Bengala Ocidental

Eleições começam hoje e prolongam-se por um mês. Pela frente, o BJP do primeiro-ministro tem a atual líder regional, Mamata Banerjee.

O Partido do Povo Indiano (BJP, na sigla original), com a sua ideologia nacionalista hindu, tem vindo a conquistar terreno na Índia desde que Narendra Modi foi eleito primeiro-ministro em 2014 (e reeleito em 2019). Está atualmente à frente no governo de 12 dos 31 estados e territórios da união onde há uma assembleia legislativa, com Modi de olhos postos agora em Bengala Ocidental (cuja capital é Calcutá), onde nunca ganhou. As eleições no estado de 90 milhões de habitantes começam hoje e prolongam-se por um mês, sendo os resultados conhecidos a 2 de maio.

"Uma vitória em Bengala Ocidental significaria que estão [o BJP e Modi] mais próximo das suas ambições de uma nação, um partido", disse à Reuters o analista político Nilanjan Mukhopadhyay. Depois de meses de protestos dos agricultores às portas de Nova Deli contra as novas leis agrárias e diante da pandemia da covid-19 (números estão a aumentar), uma vitória do BJP de Modi no quarto maior estado indiano seria também "dar um aval às suas políticas", acrescentou.

Depois há a questão religiosa, num estado onde um quarto dos habitantes são muçulmanos. O BJP está a tentar galvanizar o apoio da maioria hindu, prometendo deportar centenas de milhares de muçulmanos do Bangladesh (antiga Bengala Oriental) que fugiram há décadas para Bengala Ocidental e para Assam, que também vai a votos a partir de hoje. Esses muçulmanos foram apelidados no passado pelo ministro do Interior, Amit Shah, de "térmitas" e, em 2019, o BJP aprovou uma lei que abre a porta à nacionalização de migrantes que entraram ilegalmente no país, exceto os muçulmanos.

Em Assam, esse discurso ajudou o BJP a ganhar em 2016, derrotando o Partido do Congresso que estava no poder há 15 anos. Este aliou-se agora com um partido muçulmano para tentar voltar a governar na região. As eleições começam neste sábado e decorrem também a 1 e 6 de abril, sendo os resultados conhecidos também a 2 de maio. Nesse mesmo dia são anunciados os resultados das eleições de 6 de abril em Tamil Nadul (nas mãos de um partido aliado do BJP) e Kerala (governada pelo Partido Comunista).

Uma adversária de peso

Em Bengala Ocidental, apesar de ter vindo a conquistar terreno nas sondagens, o BJP tem pela frente uma adversária de peso, a atual líder regional, Mamata Banerjee, de 66 anos. O Trinamool Congress, partido que fundou e lidera desde 1998 depois de uma cisão do Partido do Congresso (que governou a Índia durante mais de seis décadas após a independência em 1947), foi o responsável por pôr fim a mais de 30 anos de governo comunista no estado. E Banerjee é muito popular.

A antiga ministra dos Caminhos-de-Ferro (de dois governos diferentes) tem feito campanha numa cadeira de rodas por causa de uma perna partida. Ela alegou que foi atacada por quatro ou cinco homens quando estava em campanha, denunciando mesmo uma "conspiração" do BJP, mas as autoridades concluíram que foi um acidente. "Enfrentei muitos ataques na minha vida, mas nunca me rendi diante de ninguém. Nunca baixarei a cabeça. Um tigre ferido torna-se mais perigoso", disse.

Banerjee vai a votos pela circunscrição de Nandrigram, a 150 quilómetros de Calcutá, em vez de Bhowanipore (dentro da cidade), pela qual foi eleita em 2011 e reeleita em 2016. O seu adversário direto é Suvendu Adhikari, o atual eleito por essa circunscrição. Considerado a segunda pessoa mais importante dentro do Trinamool Congress depois da própria líder, Adhikari decidiu juntar-se ao BJP de Modi há três meses, com Banerjee a decidir então enfrentá-lo diretamente nas urnas. No total, serão eleitos os 294 membros da assembleia regional.

susana.f.salvador@dn.pt

Mais Notícias

Outras Notícias GMG