Premium Uma biblioteca em que os autores proibidos valem uma história da literatura

O amante de livros argentino Alberto Manguel confessou há dias que gostaria de vir morar para Portugal. Aos 16 anos lia livros para Jorge Luis Borges, outro argentino que tinha origens portuguesas em Torre de Moncorvo. O primeiro recorda o tempo em que o segundo escutava as suas leituras em voz alta na casa do cego mais famoso de Buenos Aires.

Há bibliotecas para todos os gostos, posses e espaços. E este tempo de pandemia mostrou nas televisões quem as têm e como são. Quem congelasse a imagem e se pusesse a ver as lombadas atrás do entrevistado descobriria títulos inesperados, acabados de chegar às livrarias antes da quarentena e, na maioria, de muito antes. Havia livros para todos os feitios e interesses, diversidade que o verdadeiro amante de livros nunca foi capaz de evitar desde que Gutenberg inventou a impressão com caracteres e gerou séculos depois uma indústria que lança(va) milhares de livros a cada segundo por este planeta.

Talvez, a partir de agora, as bibliotecas particulares se encham menos com a crise, a inexistência de feiras do livro, a indefinição dos salários reduzidos e os leitores diminuam. Mas as crises vão e vêm e o mercado nunca terminou, fosse devido a guerras mundiais e frias - de ambas resultaram milhares de volumes - ou por outros cataclismos. Nem com a cegueira de quem quer ler... como era o caso do escritor argentino Jorge Luis Borges, seguindo a tradição familiar dos varões, que perdiam a visão quando chegavam aos 50 anos.

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