Premium "O filme fica mesmo frio. Há filmes frios, mornos e filmes quentes"

O "serviço público" de João Botelho prossegue com O Ano da Morte de Ricardo Reis, a partir de Saramago. O cineasta fala do seu novo filme, mostra-se entusiasmado por esta missão que a seguir passa por O'Neill mas também brinca com os "perigos" de um casamento entre André Ventura e Cristina Ferreira.

Há uma velha máxima nas adaptações literárias: a literatura é a literatura e o cinema é outra coisa. Mas a outra coisa que o João faz já está a ganhar algo que é do carácter experimental. Em O Ano da Morte de Ricardo Reis a palavra fusão já nem chega.
Tenho adaptado textos, romances, o teatro do Garrett, a Agustina, mas cada um tem o seu tratamento.

Está a dizer que não é uma fórmula?
Não é uma fórmula! Eu mudo. Aquele texto, aquela matéria, obriga-me a mudar. Este não tinha uma outra alternativa que não fosse voltar atrás, a uma ideia do cinema...Isto é sobretudo uma lição de história, mas também tem uma lição de cinema. Há uma certa inocência, o preto & branco, as elipses... Enfim, as brincadeiras que se faziam no cinema. Sou um tipo do cinema do tempo, não sou do movimento. Mas, atenção, há um cinema do movimento que é interessante, em que há a velocidade e os jovens hoje concentram-se nisso, embora eu me concentre no tempo.

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