Premium "Tudo o que existe num hospital está aqui dentro"

O DN entrou, pela primeira vez, no covidário do Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Por fora, a terceira versão da urgência covid-19 do maior hospital do país são contentores num parque de estacionamento. A dimensão engana. Lá dentro cabe muito: triagem, quartos (até de pressão negativa), ventiladores, uma sala de reanimação e outra de exames, todas as especialidades que forem precisas, disciplina e paixão.

8.00. Passaram 12 horas desde que a médica Anabela Oliveira chegou ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para chefiar um banco de urgência. É a diretora deste serviço há 14 anos, mas também coordena turnos e vê doentes. Ainda fardada, apesar de já passar da sua hora de saída, recebe-nos à porta da urgência central, que foi duplicada, no parque de estacionamento em frente, para responder aos doentes com infeção respiratória aguda, suspeitos de terem covid-19. Nos olhos nota-se-lhe a noite longa de trabalho, que se prolonga pela manhã. A voz sai-lhe diminuída pelo cansaço.

Olha em frente - para a porta que dá acesso ao covidário, como chamam ao serviço de observação e internamento de doentes com suspeita de infeção pelo novo coronavírus nas urgências - e não disfarça as reticências. Até esta quinta-feira, o hospital não tinha recebido nenhuma equipa de reportagem dentro deste espaço por causa do risco de contágio. A regra é clara: só entra quem precisa mesmo de lá estar. Anabela Oliveira tem boa vontade, mas não nega o receio.

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