Governantes começam a ser vacinados para a semana

Costa já enviou despacho para vacinação e enviou cartas a órgãos de soberania para que estabeleçam prioridades por serviço. Médicos do privado continuam à espera de saber quando serão vacinados.

Titulares de órgãos de soberania, deputados e funcionários da Assembleia vão começar a ser vacinados já na próxima semana. Bem como "a Provedora de Justiça, os membros do Conselho de Estado, a magistratura do Ministério Público, os membros dos órgãos próprios das Regiões Autónomas e os presidentes de Câmara, enquanto responsáveis principais da proteção civil". A ordem vem em despacho ontem emitido pelo primeiro-ministro, António Costa, que enviou já as cartas aos órgãos de soberania para que estabeleçam as prioridades para inoculação em cada um dos serviços.

Para os médicos e restantes profissionais de saúde dos hospitais privados, apesar dos repetidos alertas do bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães, continua a não haver indicação de calendário.

"De modo a que se possa programar com precisão este processo é essencial definir, entre estes titulares, a indispensável ordem de prioridade, tendo em conta a limitada quantidade de doses disponíveis em cada semana", especifica António Costa na mensagem enviada ao presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, a que o DN teve acesso.

O primeiro-ministro pede ao presidente da Assembleia que especifique os deputados, bem como a lista nominativa dos funcionários daquele órgão, "que devam ser considerados prioritários nesta fase". Nessa mensagem, esclarece ter já estabelecido também prioridades dentro do governo, "tendo em conta as competências na tutela de serviços essenciais, no combate à pandemia ou no exercício da Presidência Portuguesa da União Europeia".

Nessa lista que Costa elenca no despacho ontem publicado está o próprio primeiro-ministro à cabeça, seguindo-se, por esta ordem de prioridade, os ministros de Estado, da Defesa, da Administração Interna, da Justiça, do Trabalho, da Saúde, do Ambiente e das Infraestruturas. E após estes, os secretários de Estado da Saúde e "os cinco secretários de Estado que exercem a função de coordenação regional no combate à pandemia", bem como a secretária de Estado dos Assuntos Europeus e posteriormente os restantes governantes. O despacho tem efeitos já a partir de hoje.

O primeiro-ministro sublinha que termina nesta semana a administração da primeira dose da vacina "dos profissionais de saúde do SNS considerados prioritários pelos respetivos serviços, a vacinação de todos os utentes e colaboradores das ERPIS e das unidades da rede nacional de cuidados continuados integrados em condições de serem vacinados, dos demais profissionais de saúde envolvidos no combate à covid".

Aos profissionais de saúde dos hospitais privados não há qualquer referência.

Uma vez que arranca na próxima semana, conforme a própria ministra da Saúde, Marta Temido, avançou ontem, a "vacinação dos maiores de 50 anos com certas comorbilidades, dos bombeiros e equipas de primeira intervenção de ação social e ainda das pessoas que asseguram serviços essenciais", considera o primeiro-ministro ser tempo de, "sem prejuízo da prioridade pessoal decorrente de qualquer eventual comorbilidade", vacinar os titulares dos órgãos de soberania.

No despacho, Costa inclui também os elementos da Presidência da República e dos restantes órgãos mencionados considerados prioritários, elencando nesta categoria "as secretarias-gerais do Sistema de Segurança Interna e do Sistema de Informações da República e o chefe do gabinete do PM" a quem pede também que elaborem listas próprias que prioritizem quem deve ser já vacinado em cada estrutura.

Médicos do privado continuam à espera

Ontem chegaram a Portugal mais 99 450 doses da vacina da Pfizer, anunciou a ministra, apontando que foram já distribuídas 411 600 doses das vacinas da Pzifer e da Moderna. Assumindo-se preocupada com a evolução do vírus no país e com o esgotamento dos serviços públicos, Marta Temido revelou ainda ontem a necessidade de recorrer a mais camas do privado, dado o esforço em que se encontra já o Serviço Nacional de Saúde intensificado numa fase em que as novas variantes inglesa e sul-africana do vírus resultam em recordes consecutivos de casos e mortes por covid.

"Precisamos de um esforço de todos para conseguirmos vencer este momento ainda crítico", sublinhou Marta Temido, avançando que o governo está em contacto com os hospitais privados no sentido de aumentar a participação destes na luta contra a covid mas também no atendimento aos doentes com outras condições que necessitam de diagnóstico, tratamentos e cirurgias.

Nada se disse, porém, relativamente à fase em que a vacina chegará a estes profissionais de saúde.

Até ao momento, foram feitas 255 700 inoculações - estando o número quase equivalente de doses reservado em armazém para segundas tomas. Mas entre os cerca de 15 mil profissionais de saúde a trabalhar em grupos privados, incluindo mais de quatro mil médicos, contam-se apenas 570 profissionais vacinados. E mesmo chamados a reforçar o atendimento a doentes, estes profissionais de saúde continuam a não ter indicação de quando serão inoculados.

O próprio bastonário dos médicos tem alertado para a situação "muito preocupante" destes profissionais de saúde, que todos os dias estão em contacto com as dezenas de pessoas que passam pelos serviços de saúde privados.

Ainda na semana passada, Miguel Guimarães revelou que "os médicos do privado estão em pânico", sentem-se "revoltados e injustiçados" por estarem a ser discriminados na vacinação. Até ao momento, porém, não há indicação sobre o calendário definido para vacinar estes profissionais.

Questionado, o Ministério da Saúde não respondeu às perguntas do DN sobre o tema.

A situação dos médicos do privado está a causar enorme mal-estar entre estes profissionais, que estão a avaliar que medidas tomar.

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