'1984' de Orwell regressa numa surpreendente novela gráfica

O desenhador brasileiro Fido Nesti é o autor da adaptação de uma das narrativas mais premonitórias do século XX, aquela que impôs no horizonte o conceito do Big Brother e o controlo da sociedade. Entre os seus trabalhos esteve uma adaptação de Os Lusíadas.

Em 1984 foi a vez de o cinema adaptar um dos mais icónicos livros do século XX, 1984, de George Orwell. Publicada em 1949, a narrativa era um assustador prenúncio do que poderia ser o mundo décadas depois, no entanto essa visão assustadora continua tão atual que no dia 27 ganha outro suporte além do livro e do filme: a novela gráfica.

O romance de Orwell nunca tinha sido adaptado à banda desenhada, mesmo que tivesse todos os condimentos para levar o leitor a devorar mais de 224 pranchas, repletas de volte-faces e de situações que há sete décadas pareciam caber apenas numa mente inventiva e jamais na realidade.

Diga-se que Fido Nesti já fez uma adpatação do poema Os Lusíadas, em que fez de camões o protagonista dessa viagem pela história portuguesa, publicada em 2015.

A história desde então mostrou que a distopia de Orwell poderia ser bem mais do que um romance e que era capaz de tornar-se bem mais real do que seria admissível. É essa antecipação e confirmação da história que a arte do desenhador Fido Nesti capta através de uma adaptação interessante e de uma ilustração com características de suspense e em tons próprios dos maus tempos anunciados e vividos em Oceânia. É nesse lugar que vive o protagonista, Winston Smith, um homem de pensamento livre mas refém de um poder opressivo sem limites.

O lançamento mundial da novela gráfica 1984 (Editora Alfaguara) acontece na próxima semana em todo o mundo e os leitores portugueses estão entre os que primeiro podem confirmar que o conceito de Big Brother não era um capricho literário mas antes uma forma de vigilância que altera o rumo das sociedades.

O ilustrador brasileiro Fido Nesti que o diga, pois tem a experiência do seu próprio país e de como a desregulação de uma sociedade pode levar a extremos impensáveis.

Quem é Fido Nesti?

Fido Nesti nasceu em São Paulo, em 1971, trabalha com ilustração e banda desenhada há mais de trinta anos. Os seus trabalhos podem ser encontrados no jornal Folha de S. Paulo e na revista The New Yorker, entre outras; assim como em capas e livros de várias editoras. Ilustrou Os Lusíadas em Quadrinhos (Peirópolis, 2015) e a Máquina de Goldberg (Quadrinhos na Cia., 2012).

A leitura de 1984, precisamente no ano de 1984, ainda na escola, acabaria por ser uma enorme influência, levando Fido Nesti a questionar o modo como funcionam as coisas. O impacto da leitura deixou-o profundamente impressionado com a forma como o mundo distópico criado por Orwell se tem revelado cada vez mais verdadeiro.

Sobre 1984 muito foi dito:

"Um livro magnífico e profundamente interessante." Aldous Huxley

"Está entre os meus livros preferidos, leio-o uma e outra vez." Margaret Atwood

"Aqui já não estamos unicamente diante do que habitualmente classificamos de «literatura». Aqui estamos, repito, diante de uma energia visionária." Umberto Eco

1984 é um romance distópico de Eric Arthur Blair, que usava o pseudónimo de George Orwell, nascido na Índia, em 1903. Na década de 1920, foi agente da polícia colonial na Birmânia, tendo depois publicado vários romances, muitos ensaios e textos jornalísticos. Em 1945, publicou A Quinta dos Animais, o seu primeiro grande sucesso. 1984 foi terminado pouco antes de morrrer em 1950, devido a uma tuberculose.

1984

de George Orwell

Adaptação e desenho de Fido Nesti

Editora alfaguara

Sai dia 27

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