Portugueses apostam em fundos de investimento. Mais de metade rende acima de 5%

Subida das bolsas ajuda a fomentar este tipo de produto gerido por entidades nacionais. Apesar do risco inerente a esta opção, aforradores são atraídos por ganhos acima de 5%.

Os depósitos bancários rendem pouco mais de 0%. E os portugueses têm procurado outras alternativas para meter o dinheiro a render. Entre as opções estão o imobiliário, obrigações de empresas (como a TAP e SIC) e também fundos de investimento. A aposta nestes últimos produtos está, até agora, a dar frutos.

Mais de metade dos 213 fundos geridos por entidades portugueses têm retornos acima de 5% desde o início do ano, segundo cálculos do DN/Dinheiro Vivo baseados nos dados mais recentes da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento (APFIPP), relativos a 14 de junho.

Esses desempenhos são explicados, sobretudo, com o bom momento das bolsas internacionais. As ações de empresas americanas e europeias têm beneficiado das mensagens da Reserva Federal dos EUA e do Banco Central Europeu.

Fuga aos depósitos

Para proteger a economia dos danos da guerra comercial entre EUA e China, os dois bancos centrais sinalizaram que podem vir a cortar as taxas de juro. Essa expectativa penaliza a rentabilidade de aplicações mais seguras, como os depósitos.

No entanto, o cenário de juros mais baixos incentiva o investimento em instrumentos com maior risco, mas também com maior potencial de retornos. É o caso das ações ou da dívida de empresas menos sólidas. Esse cenário tem ajudado os fundos de investimento de maior risco.

No entanto, em tempos mais conturbados nos mercados financeiros, esses produtos, como têm maior risco, são também os que podem gerar perdas mais avultadas. Apesar de estes produtos terem retornos positivos desde o início do ano, os ganhos passados não são garantia de que isso aconteça no futuro.

Portugueses apostam

Os investidores portugueses, comparando com outros países europeus, tendem a ser mais avessos ao risco. No entanto, neste ano têm apostado em fundos para tentar encontrar soluções para rentabilizar as poupanças.

Desde o início do ano os fundos portugueses foram alvo de investimentos de 1,32 mil milhões de euros. No mesmo período houve resgates de 1,26 mil milhões. As subscrições líquidas são de cerca de 60 milhões de euros.

Entre as preferências dos investidores nacionais estão os produtos multiativos. Estes fundos tentam diversificar, investindo simultaneamente em ações, obrigações e outras aplicações. As subscrições líquidas vão já em 270 milhões de euros em cinco meses. Numa escala de 1 (menos risco) a 7 (maior risco), os fundos multiativos têm, na maior parte das vezes, risco de 3 ou 4. Rendem entre 4,86% e 10,68% este ano.

Mas há quem assuma ainda mais riscos. Os fundos de ações internacionais tiveram neste ano subscrições líquidas de 77 milhões de euros. Grande parte destes produtos têm risco 5; mas valorizam, em média, 11%.

O dinheiro entra em fundos de maior risco, mas sai de produtos mais conservadores. Nos fundos de mercado monetário e de tesouraria, os resgates líquidos foram de 370 milhões. Estes produtos investem em depósitos e dívida de curto prazo. Têm, genericamente, nível de risco 1 e 2. Mas rendem pouco mais de 0% neste ano.

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