Há 20 projetos turísticos a nascer na cidade que não quer ser a sombra da Comporta

Alcácer do Sal tem atualmente 1148 camas. Investidores estão a atacar em força e, só em projetos já pedidos, o crescimento previsto é de 200%.

Há mais de dez anos que Paulo Oliveira e Pedro Carmo Costa idealizam um projeto de habitação turística para Alcácer do Sal. Apaixonados pela cidade moura e pelo "genuíno, genuíno" que os leva a fazer férias ali há já duas décadas, são os responsáveis pelo Cegonhas Resort, um projeto de 36 milhões de euros que deverá arrancar na segunda metade deste ano. Como eles há outros investidores a olhar para a cidade alentejana. A autarquia fala em "cerca de duas dezenas" de projetos em desenvolvimento no município, com diferentes escalas de intervenção.

"Em 2006 o Paulo, que vem da área financeira, e eu da área da consultoria - ligação zero ao imobiliário -, começámos a pensar se não faria sentido criar um conceito que pudesse servir famílias como nós", conta Pedro Carmo Costa, que conhece a região há mais de 20 anos e idealiza "um projeto que funcione como uma aldeia, com ruas, onde as pessoas convivam, num lugar próximo de Lisboa, onde possam estar durante o ano todo e onde as crianças possam crescer com um ambiente de natureza". Os primeiros passos deste projeto foram dados ainda em 2006 com a compra, através de capitais próprios, de duas herdades de 15 hectares cada uma, às portas de Alcácer do Sal. Pediram os primeiros pareceres e começaram a fazer os primeiros desenhos.

Mas veio a crise. Primeiro em 2008 com a queda do Lehman Brothers, nos Estados Unidos, depois em 2011, com o pedido de ajuda externa português. "Foi em setembro de 2008 que começámos a juntar as pontas para avançar para uma segunda fase, mais pesada, de projetos, e, nunca mais nos esquecemos, assim que fomos falar com alguém disseram-nos imediatamente 'escolheram a pior altura'", revela Paulo Oliveira. A decisão de adiar foi fácil: "Sabíamos que íamos precisar de um parceiro de development, um promotor, e na semana em que íamos enviar o projeto para uma lista de dez promotores, faliu o Lehman Brothers", recorda Pedro Carmo Costa.

Sem dívidas à banca, esperavam por uma melhoria da conjuntura que parece ter, finalmente, chegado. Com o turismo a romper recordes, e o interesse internacional a dar nova força à construção e à promoção imobiliária, o desenho da Aldeia das Cegonhas está fechado e as primeiras casas devem estar prontas em 2021 - para já, está a terminar a fase de consulta pública.

O projeto final conta com 94 unidades de alojamento, que se repartem entre moradias isoladas e em banda. "É um novo conceito de empreendimento turístico", diz Paulo Oliveira, assumindo que não querem replicar o isolamento da Quinta do Lago, mas sim proporcionar um verdadeiro espírito de aldeia. O projeto conta com uma zona de restauração, zona comercial, piscinas, spa, ténis e uma zona para crianças. Como o espaço é reserva protegida, dos 30 hectares, apenas 7% será edificável, proporcionando uma maior relação com a natureza. Os desenhos, que já foram revistos para respeitar esta questão, estão a cargo do arquiteto Pedro Torres, do ateliê lisboeta Promontório.

"Para além do empreendimento da Aldeia das Cegonhas, existem outros projetos em desenvolvimento no município, cerca de duas dezenas, com diferentes escalas de intervenção, alguns dos quais não implementados por razões da conjuntura económica, outros porque o procedimento de licenciamento ainda não foi concluído, totalizando cerca 3,5 milhares de camas", adiantou ao DN/Dinheiro Vivo o arquiteto Ricardo Ambrósio, da divisão de planeamento e gestão urbanística da Câmara de Alcácer.

Entre estes projetos estão a extensão da Pousada de Vale de Gaio ou a construção de um resort em Pego do Altar, junto à barragem, e que envolve também a criação de um centro náutico e de um centro de interpretação ambiental, na localidade a 14 quilómetros da cidade de Alcácer.

Mas os planos da autarquia são maiores. Além deste aumento de 206% no número de camas que já está a andar, "os planos [de pormenor] em vigor atualmente preveem cerca de 16 mil camas turísticas, as quais, para serem concretizadas, deverão ainda ser objeto de licenciamento dos respetivos projetos de edificação/urbanização", acrescenta o responsável.

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