Exclusivo Rachida contra Anne: duelo no feminino pela Câmara de Paris

A eurodeputada anunciou que não se candidata a um novo mandato nas europeias de maio, preferindo centrar-se nas municipais da primavera de 2020. Para recuperar a capital francesa para a direita após quase duas décadas, terá de derrotar a socialista Anne Hidalgo, no cargo desde 2014.

Vou lutar pela união. Vou lutar pelos parisienses. Paris merece!" Termina assim o artigo de opinião publicado por Rachida Dati no Journal du Dimanche, no qual a ex-ministra da Justiça de Nicolas Sarkozy, eurodeputada desde 2009, assume a candidatura à Câmara de Paris nas municipais de 2020. Dati, já autarca do 7.º bairro da capital francesa, não esconde a ambição de unir a direita para derrotar Anne Hidalgo e acabar com quase duas décadas de domínio socialista em Paris.

Para tal, Dati já anunciou que não é candidata às europeias de 26 de maio. No mesmo artigo, a eurodeputada lamenta que Paris se tenha tornado "uma cidade da qual se foge", onde além do aumento brutal do preço das casas os residentes têm de lidar com "a insegurança, a sujidade, a poluição, os engarrafamentos e as obras constantes". Mais do que criticar as metas da atual presidente da câmara, Dati ataca os seus "métodos", prometendo, se for eleita, trabalhar para devolver aos parisienses "a limpeza, a segurança, a melhoria das condições de vida, as atividades para os seus filhos ou o acompanhamento de pessoas frágeis ou isoladas".

Numa cidade que tem sido notícia nas últimas 19 semanas devido aos protestos - muitas vezes violentos - dos coletes amarelos, o mais duro ataque de Dati contra as políticas de Anne Hidalgo prendeu-se até agora com a iniciativa anticarros da presidente da câmara. "É preciso ver uma mãe de família carregar o carrinho de bebé pelas escadas do metro para perceber que as questões de mobilidade se colocam em termos de acessibilidade mais do que em termos de julgamentos morais", garantiu a eurodeputada.

Para já, Dati foi a primeira a avançar para a candidatura às municipais previstas para a primavera. Para conseguir a nomeação do partido Os Republicanos, a eurodeputada terá primeiro de bater os rivais internos para ser escolhida na comissão de investidura no outono. A tarefa mais difícil será unir toda a direita e o centro atrás da sua candidatura.

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