Máscara obrigatória, microfones cortados. Vem aí o embate final Biden vs Trump

Depois da confusão pegada que resultou do primeiro embate, a Comissão de Debates Presidenciais mudou condições impostas aos candidatos. Trump não gostou.

Distantes um do outro, sem aperto de mão inicial, os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos irão encontrar-se uma última vez antes do dia que decidirá o futuro da América. O derradeiro debate entre o democrata Joe Biden e o presidente incumbente Donald Trump está marcado para esta quinta-feira, 22 de outubro, na Universidade de Belmont, em Nashville, Tennessee.

Biden chega ao palco com uma vantagem razoável nas sondagens, que até alargou desde o primeiro debate, a 29 de setembro. Trump apresenta-se no campo de batalha ainda sem rasto de um teste negativo - após contrair covid-19 - e pouco satisfeito com as novas condições impostas pela Comissão de Debates Presidenciais, que organiza o encontro.

"Vou participar, mas penso que é muito injusto", disse Donald Trump aos jornalistas, sobre a decisão da comissão de cortar o microfone aos candidatos quando for a vez de o outro falar. A medida pretende evitar o caos que aconteceu no primeiro debate, quando o presidente repetidamente interrompeu Joe Biden durante os seus minutos de intervenção, levando o democrata a mandá-lo calar e até a chamá-lo "palhaço."

Nada impedirá, no entanto, os candidatos de continuarem a tentar provocar-se um ao outro, mesmo com o respetivo microfone fechado. A audiência presente, que será ainda mais pequena do que no debate anterior, poderá ouvir o que é dito no palco sem a ajuda dos microfones.

O que nenhuma das pessoas a assistir in loco poderá fazer é remover a máscara, como aconteceu com a família de Trump no primeiro encontro. A comissão assegurou que qualquer pessoa sem máscara será expulsa do auditório. Não haverá, todavia, acrílico a dividir os oponentes, como houve quando Kamala Harris e Mike Pence se encontraram para o único debate vice-presidencial.

Agora ou nunca

De acordo com a média das sondagens nacionais, Joe Biden tem uma vantagem de 10,3 pontos em relação a Donald Trump: as intenções de voto dividem-se em 52,2% para o democrata e 41,9% para o republicano. O modelo estatístico da plataforma FiveThirtyEight dá agora a Biden 87% de hipóteses de vencer as eleições, contra 13% de Trump. É uma desvantagem para o presidente incumbente que se agudizou nas últimas semanas, não só depois do debate mas também após o diagnóstico de covid-19 e a forma como lidou com a doença.

Por tudo isto, os analistas consideram que este debate é a última hipótese de Donald Trump de recuperar terreno e voltar a apertar as margens. Em especial porque há dezenas de milhões de eleitores a votarem antecipadamente e por correspondência, o que limitará a possibilidade de um volta-face nas urnas no dia 3 de novembro.

Talvez por isso mesmo a campanha do presidente não esteja muito satisfeita com os tópicos escolhidos pela jornalista da NBC Kristen Welker, que vai moderar este último debate. São eles a luta contra a covid-19, as famílias americanas, as questões da raça na América, alterações climáticas, segurança nacional e liderança. O diretor da campanha de Trump, Bill Stepien, enviou uma carta à comissão reclamando sobre estes tópicos, argumentando que o debate final devia ser centrado em política externa. Segundo ele, a escolha dos tópicos foi propositada para beneficiar Biden.

"É completamente irresponsável que a comissão altere o foco do debate final alguns dias antes, apenas para insular Biden do seu histórico", escreveu. Stepien alega que o tema inicial do debate era política externa, mas não há qualquer indicação que esse tenha sido o caso.

No entanto, é expectável que o presidente Donald Trump tente direcionar a conversa para a política externa, com a intenção de retratar Joe Biden como um político corrupto que lucrou com a vice-presidência dos Estados Unidos através do seu filho Hunter Biden.

Este tem sido o foco da cobertura na Fox News, depois de uma notícia no tabloide New York Post ter alegado que Hunter organizou uma reunião entre o pai e um executivo da empresa ucraniana de energia Barisma em 2015. O tabloide recebeu a história de Steve Bannon, ex-diretor do site de extrema-direita Breitbart e ex-conselheiro da administração Trump, e as informações terão sido pirateadas de um disco rígido fornecido pelo advogado de Trump, Rudy Giuliani.

Uma vez que as alegações da notícia advêm de material pirateado e são consideradas dúbias, tanto o Twitter como o Facebook limitaram o seu alcance, embora não a tenham eliminado. As críticas de Bill Stepien insinuam que a Comissão de Debates Presidenciais mudou os temas do debate para proteger Biden por causa da publicação desta história. Todavia, não há registo de que tivesse havido outro conjunto de tópicos além dos que foram anunciados no site da comissão a 16 de outubro.

Mas não é só com os temas que a campanha está insatisfeita. O presidente Donald Trump não gosta da moderadora, que acusou de ser uma "democrata radical de esquerda." No Arizona, onde participou num evento de campanha no início desta semana, disse aos jornalistas que ela era "terrível" e "injusta".

"Não me vai afetar", afirmou. "Vou estar lá. Mas vocês sabem, eu avisei-vos sobre o último [moderador] e estava certo, avisei-vos sobre Savannah Guthrie e estava certo. Agora estou a avisar-vos sobre Kristen Welker." O moderador do primeiro debate foi Chris Wallace, da Fox News, que irritou Trump depois de o admoestar sobre as interrupções a Biden. Já Savannah Guthrie, que foi a moderadora do town hall em que Trump participou em vez de um segundo debate com Joe Biden (o presidente não quis um embate virtual), foi caracterizada como "louca" e "enraivecida".

O debate vai durar 90 minutos, sem intervalos comerciais, e cada candidato terá direito a dois minutos de resposta sem interrupções (agora com o microfone do oponente fechado). A eleição presidencial acontece a 3 de novembro.

Mais Notícias