Fim de contratos já engorda desemprego: mais 185 mil precários no IEFP desde março

Desde a chegada da pandemia, houve mais de 337 mil novos inscritos nos centros de emprego do continente. Mais de metade eram contratados a prazo.

Os contratados a prazo continuam a dominar as novas inscrições nos centros de emprego do país devido à pandemia, com mais de 185 mil precários registados no desemprego desde março, segundo cálculos do DN/Dinheiro Vivo com base nas últimas estatísticas do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Representam 55% dos novos desempregados.

Em sete meses, até setembro, os centros de emprego de todo o país listaram 353 379 novas inscrições no desemprego. Destas, 337 642 deram entrada nos centros do continente, para os quais o IEFP publica informação desagregada por motivo da inscrição.

E a liderar as razões para registo de novos desempregados está o fim de trabalho não permanente, com um acumulado de 185 370 registos de contratados a prazo desde março - ou seja, 55% de todos aqueles que foram feitos em centros do continente.

A segunda principal fonte de desempregados novos foram os despedimentos decididos pelos empregadores, razão para 59 033 inscrições no período de sete meses, 17% do total.

Já as saídas por iniciativa do trabalhador deu origem a apenas 4% dos novos registos, e o despedimento por mútuo acordo resultou em 3% das inscrições acumuladas. As inscrições como desempregados de trabalhadores por conta própria são 1% do total.

Os valores acumulados permitem ainda somar 19 375 inscrições como desempregados de indivíduos até então contabilizados inativos, representando 6% do total de registos nos centros de Portugal continental, e 46 743 inscrições sob "outros motivos", perfazendo 14%.

Total de inscritos nos 410 mil em setembro

Estes números dizem respeito aos fluxos de entrada de desempregados nos registos do IEFP, sem contabilizar as anulações de inscrições entretanto ocorridas, seja porque deixou de haver procura ativa de emprego ou porque houve colocação em novo emprego, entre outros motivos possíveis.

Apesar das mais de 353 mil inscrições de novos desempregados nos últimos sete meses, o desemprego registado cresceu em termos líquidos apenas num número de 94 612. O mês de setembro registou 410 174 desempregados inscritos nos centros IEFP, contra 315 562 contabilizados no final de fevereiro.

Destes mais de 410 mil inscritos de setembro, recebiam em setembro subsídio por desemprego 230 303 - ou seja, 56% do total, numa melhoria face à taxa de cobertura do subsídio em agosto, segundo cálculos a partir das estatísticas da Segurança Social também ontem divulgadas. A taxa de cobertura estava em 55% em agosto.

Segundo mostram os dados, em setembro foram pagas mais 56 488 prestações por desemprego do que em março. A maior parte do aumento ocorre pela subida de desemprego entre os mais jovens, com 45% dos novos subsídios pagos nos meses da pandemia atribuídos a quem tem até 35 anos.

Entretanto, está a cair o valor médio de subsídio pago aos beneficiários. Em setembro ficou em 494,85 euros, a quantia mais baixa desde março de 2019, após um crescimento significativo nos beneficiários do subsídio social de desemprego subsequente. Esta prestação tem como teto máximo o valor de 438,81 euros, o correspondente a um indexante de apoios sociais.

Já o valor do subsídio de desemprego, a principal prestação face à perda de trabalho, é atualmente no mínimo de 438,81 euros, tendo como teto 1097,03 euros. No próximo ano, de acordo com a atual proposta de Orçamento do Estado para 2021, o limiar mínimo desta prestação deverá passar para 501 euros.

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo

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