Premium O bolsonavírus

Jair Bolsonaro saiu apertando mãos, deixando-se apalpar e tirando selfies com os telemóveis de seus apoiadores. De alguma maneira, empestou-os.

No último domingo (15), Jair Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada, em Brasília, e dirigiu-se à claque que o espera todas as manhãs no cercadinho. Jair Bolsonaro, como se sabe, é o presidente da República brasileira, embora cada vez mais pessoas, inclusive entre seus eleitores, se envergonhem de se referir a ele pelo cargo que ocupa. O Palácio da Alvorada, em Brasília, é a residência oficial da Presidência - que outros presidentes classificaram de mal-assombrada, mas cujos fantasmas devem ter-se mudado assim que Bolsonaro foi morar lá. E o tal cercadinho é uma área reservada em frente ao palácio, onde, todas as manhãs, se concentram centenas de pessoas, vindas não se sabe de onde, que estão ali à espera de Bolsonaro quando ele sai para trabalhar. Elas querem vê-lo de perto, tocá-lo, apalpá-lo, dirigir-lhe a palavra, apertar-lhe a mão e tirar selfies com ele. Bolsonaro se submete satisfeito e o ritual se repete diariamente.

Na verdade, aquele cercadinho é o púlpito, o verdadeiro palco de onde Jair Bolsonaro exerce a presidência do Brasil. É dali que, sem prejuízo do que comete no resto do dia, ele efetivamente se dirige à nação - sua performance não apenas é registada pelos jornalistas que tentam entrevistá-lo como gravada por uma bateria de funcionários e disseminada em infinitas postagens pelas redes sociais. E Bolsonaro não perde tempo. É do cercadinho que ele ataca a liberdade de imprensa, joga a população contra o legislativo e o judiciário, põe em dúvida a lisura das eleições brasileiras (inclusive a que o elegeu) e incita a malta a pedir "intervenção militar já", o que, na prática, seria a volta da ditadura que nos infelicitou de 1964 a 1985.

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