Cibersegurança. Empresas devem apostar em "investimentos sensatos", sem esquecer vertente humana

Com a possibilidade de orçamentos mais reduzidos para alocar à cibersegurança, responsável da S21sec em Portugal sublinha que "não vale comprar [tecnologia] só por comprar" e que é preciso "sensibilizar os trabalhadores"

Os últimos tempos têm "sido um evento extraordinário" na área da cibersegurança, diz Pedro Norton Barbosa, country manager da empresa especializada S21sec. Com 500 colaboradores especializados, o líder para Portugal reconhece que tem havido "um aumento tanto em volume como na complexidade dos ataques", resultando em anos de "muitíssima atividade na área".

A covid-19 trouxe, além de uma crise financeira sem precedentes, uma preocupação adicional para as empresas: como manter os trabalhadores em segurança, fora do escritório, e continuar a operar? Num piscar de olhos, o teletrabalho foi a resposta, mas nem sempre com as melhores condições a nível de segurança informática. Como diz Pedro Norton Barbosa, os trabalhadores "saíram do castelo".

"Dá-me ideia de que tínhamos as pessoas dentro de um castelo, as firewalls eram "muralhas", e de repente dissemos para irem para fora do castelo. As pessoas num ambiente adverso que têm de interagir com os ativos dentro da muralha. Muitas das organizações ainda não tiveram o tempo de se adaptar e isto vai abrir muitas vulnerabilidades. Já começámos a ver um aumento dos ataques às organizações."

Norton Barbosa explica que esta passagem para fora das empresas, muitas vezes sem a proteção adequada "dá origem a uma superfície de ataque muito maior, com pontos de falha muito maiores".

O responsável da S21sec em Portugal aponta que, perante este cenário, há que dar importância não só à tecnologia de segurança mas também a um elo mais fraco neste cenário: os humanos. "É quase como construir um "castelo" para cada colaborador", elucida, destacando a necessidade de "sensibilizar muito os trabalhadores [para a componente da segurança] e proteger os dispositivos".

"É reduzir ao máximo a janela de exposição ao risco", diz Pedro Norton Barbosa. "A cibersegurança não é só tecnologia: é também as pessoas e os processos".

Empresas vão rever orçamentos em baixa

Com a crise causada pela pandemia a obrigar as empresas a rever prioridades, Pedro Norton Barbosa indica que "muitos orçamentos de segurança vão ser revistos em baixa". Com as empresas a precisar de tomar decisões, o responsável avisa que "há que investir mas de forma sensata."

"É preciso ter tecnologia, o castelo as muralhas" mas tal não deve ser sinónimo de "comprar por comprar".

Apesar da perspetiva de orçamentos em baixa, que poderá ter repercussões para o negócio de algumas empresas da área da segurança, a S21sec afirma estar "num enquadramento positivo", devido à carteira de clientes.

A empresa disponibiliza serviços a entidades de infraestruturas críticas e setor financeiro, tendo "menos exposição aos setores mais afetados" pela crise da pandemia, explica o responsável. Além disso, o aumento do volume dos ataques poderá ainda representar uma oportunidade. "Temos um enquadramento positivo do ponto de mais empresas precisarem de apoio mais especializados, estamos a ver o aproveitamento de todo o cenário", antevê Pedro Norton Barbosa.

* jornalista do Dinheiro Vivo

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